Audiência pública na Câmara dos Deputados colocou em debate a viabilidade da graduação na saúde totalmente na modalidade EaD
Conselhos de fiscalização do exercício profissional da área da saúde se posicionaram contrários à proposta de formação profissional integralmente por meios digitais

No dia 8 de agosto, em Brasília, a Câmara dos Deputados promoveu audiência pública para debater a expansão de cursos superiores a distância na área da Saúde. 

 

Estiveram presentes representantes das profissões, entre eles o Diretor-Secretário do Coffito e coordenador do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (FCFAS), Dr. Cássio Fernando Oliveira da Silva, além de representantes dos órgãos reguladores da educação e da saúde.

 

“A formação em Saúde precisa de prática, de vivência nos vários cenários, de experiência das realidades multiprofissionais. Não podemos brincar com a saúde da população brasileira. Não podemos precificar uma vida”, enfatizou o Dr. Cássio Silva, em sua apresentação ao público.

 

A representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Dra. Dorisdaia Humerez, argumentou da mesma forma, pontuando, ainda, as divergências entre o que preconiza as regras e o que é posto em prática pelas instituições que oferecem a formação em EaD. Segundo ela, os enfermeiros representam, hoje, aproximadamente 65% da força de trabalho no SUS, sendo, portanto, de responsabilidade da instituição zelar pela saúde da população e lutar pela redução de erros por imperícia.

 

A Dra. Zilamar Fernandes, representante do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e integrante do FCFAS, também relatou o descumprimento das normas estabelecidas para a EaD, alegando que muitas instituições sequer cumpriam o período mínimo exigido.

 

As categorias da Saúde encontraram apoio na Deputada Alice Portugal, que, além de narrar o seu envolvimento com a pauta, declarou esperar que a Câmara possa socorrer a população e os profissionais de Saúde, permitindo que o Projeto de Lei 5414/2016, que proíbe o incentivo do desenvolvimento e veiculação de programas de ensino à distância em curso da área de saúde, seja aprovado sem alterações. “Não nos serve, sequer, um ensino semipresencial”, finalizou.


com informações do Coffito