Falsa fisioterapeuta atuou na região do ABC e está foragida
Utilizando-se de diploma e carteira profissional falsos, a suposta fisioterapeuta chegou a atuar em clínica de Fisioterapia por dois meses, oferecendo atendimento de acupuntura aos pacientes

O departamento de fiscalização do Crefito-3 alerta: V.T.N, 22 anos, uma jovem que alega ser fisioterapeuta, está de posse de documentos falsos (diploma e carteira do Crefito-3), que a identificam como profissional da área. Após a visita fiscalizatório do Crefito-3 à clínica de Fisioterapia onde essa pessoa atuava, ela não mais retornou ao local, fato que impediu o flagrante policial.


A falsidade da documentação foi constatada pela fiscal do Crefito-3 após a realização de uma visita fiscalizatória à instituição. Vários documentos foram enviados à fiscal do Crefito-3 no dia seguinte à fiscalização, pois não estavam de posse dos fisioterapeutas durante o ato fiscalizatório. Dentre esses, a documentação de uma das contratadas da clínica chamou a atenção da fiscal: a pessoa comprovava sua formação como fisioterapeuta com um diploma de Licenciatura (e não de Bacharelado) em Fisioterapia. Na carteira profissional, constava a data de novembro de 2017. No espaço reservado para a validação pelo presidente do Crefito-3, estava a assinatura de Dr. Reginaldo Antolin Bonatti. Tudo parecia correto, dentro dos padrões das carteiras do Crefito-3. Com a exceção de que Dr. Reginaldo já não era mais presidente do Crefito-3 desde março de 2016 (inclusive, Dr. Reginaldo encontrava-se adoecido na época da suposta assinatura, vindo a falecer logo depois). Também o número de Crefito indicado na carteira pertencia a outra jurisdição - a do Crefito-2.


Ao voltar à clínica, a fiscal foi informada pelo fisioterapeuta Responsável Técnico que a pessoa em questão não havia ido trabalhar. Depois da visita do Crefito-3, saiu e nunca mais voltou.


Investigação da fiscalização aprofundou descobertas

A fiscal também entrou em contato com a instituição de ensino que teria emitido o diploma de Licenciatura em Fisioterapia. A coordenadora garantiu: a pessoa em questão jamais foi aluna daquela universidade. Tanto o diploma como a assinatura de coordenador do curso eram falsas.


Constatada a falsidade da documentação, a fiscal do Crefito-3 entendeu ser necessário aprofundar a investigação, e descobriu que a falsa profissional havia sido aluna de graduação em Fisioterapia de uma conhecida faculdade do ABC. Em contato com a coordenação dessa instituição, a fiscal foi informada de que a aluna havia abandonado o curso. “Ela ingressou em 2012, permaneceu na instituição até 2016, mas não cumpriu integralmente o curso”, relatou a fiscal. No histórico escolar, reprovações em várias disciplinas, tanto por aproveitamento insuficiente como por faltas.


Rotinas fiscalizatórias

“Essa visita específica à clínica do ABC foi motivada por duas denúncias, que apontavam o trabalho irregular de estagiários. No entanto, é praxe de toda ação fiscalizatória ir além da denúncia, e verificar a regularidade total da atuação profissional”, explica o coordenador de fiscalização do Crefito-3, Marcelo Fernandes Rodrigues. Essa prática da rotina das visitas fiscalizatórias´, que possibilita uma abordagem ampla do serviço e de seus profissionais, permitiu identificar a irregularidade.


Medidas legais e éticas

Segundo Dr. Herberto Lupatelli, procurador do Crefito-3, após reunir todos os documentos que comprovaram a existência do crime de falsificação de documentos (descrito pelo artigo 304 do Código Penal, com pena entre 1 a 5 anos de prisão), foi possível acionar o Ministério Público em Diadema - local de residência da falsa profissional - para abertura de investigação criminal. “Estamos pedindo também a apuração do crime de exercício ilegal da profissão”, explicou Dr. Lupatelli, que lembrou que cabe às autoridades a apuração do crime e a punição.


Ao Crefito-3, cabe a apuração das ações que levaram à contratação de uma falsa profissional, de acordo com o Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia. “É dever do Responsável Técnico de qualquer instituição garantir a segurança da prestação dos serviços aos seus pacientes”, ressaltou Marcelo Rodrigues.


Alerta aos Responsáveis Técnicos: “Pesquisem; se informem”

O “mercado de falsificações” é algo que existe em todo o mundo, em todos os tempos. Com o avanço das tecnologias, avançou também a sofisticação das falsificações. Pessoas mal intencionadas existiram e sempre existirão. No caso da falsificação de qualificações profissionais - em especial, de profissões da área da saúde - o ato passa de má intenção a crime, com potencial de colocar saúde e vidas em risco.

“Por situações assim é que sempre destacamos a imensa responsabilidade do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional que assume a posição de Responsável Técnico”, destaca o diretor de Fiscalização do Crefito-3, Dr. Luiz Moderno.  Ele recomenda que ações simples no processo de contratação de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem evitar que situações como a ocorrida na clínica do ABC se repitam. “Se informem; pesquisem. Basta acessar a página do Crefito-3 na internet e pesquisar o nome do profissional. Se desconfiar que algo não está certo, é importante nos procurar”, aconselha.


A pesquisa de inscritos está disponível em http://bit.ly/ConsultaInscritos. É possível realizar a busca por nome, pelo CPF ou pelo número de Crefito. O nome da falsa profissional foi omitido por razões legais.