Olhe para o lado: sua colega Fisio ou T.O. pode já ser parte das estatísticas de violência
Hoje celebra-se o dia da mulher. E no Crefito-3 não é diferente. Já expressamos nosso carinho e respeito pelas profissionais. Mas a realidade nos faz ir além da festa. É hora de refletir.

Sendo profissões prioritariamente femininas - as mulheres correspondem a 80% da Fisioterapia e 90% da Terapia Ocupacional no Brasil -, seria ilusão imaginar que, dentre essas 210 mil mulheres fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, não existam vivências de assédio, preconceito ou outro tipo de violência.


Números divulgados pelo Ministério Público Federal registram que casos de violência sexual não relatados podem chegar a 500 mil por ano. São 1.388 casos por dia - um a cada minuto.  


Sua colega do serviço de Fisioterapia, com quem você conversa todos os dias - seja sobre os casos clínicos, seja sobre as coisas da vida - pode ser a cara daquele número frio das estatísticas de violência contra a mulher.


Só em janeiro de 2019, 179 mulheres foram assassinadas. Não foram casos de latrocínio (roubo, seguido de morte), nem por envolvimento em algum crime,  tampouco vítimas de bala perdida. Foram assassinadas exclusivamente pela condição de serem mulheres. Na opinião de seus assassinos (companheiros, maridos, ex-namorados), elas “mereceram” morrer por não terem correspondido a alguma expectativa desses homens. Esse crime, com essas características tem nome próprio. É feminicídio.


Uma dessas 179 vítimas de janeiro passado foi uma colega de profissão. Milena Siqueira, fisioterapeuta da cidade de Formiga, em Minas Gerais, foi assassinada pelo ex-namorado, após ela ter rompido o relacionamento.


Mariane da Silva Isbarrolo, terapeuta ocupacional em Porto Alegre, também foi assassinada por um ex-namorado, inconformado com o fim do relacionamento. O crime aconteceu em 2018. Ela tinha 30 anos


Outro caso, mais recente, não resultou em morte. Mas a violência é a mesma. Na Bahia,  a fisioterapeuta (que não teve seu nome divulgado) saiu do trabalho e foi encontrar seu namorado. Recebeu 50 facadas e foi jogada numa ribanceira à beira de uma estrada.


Em 2017, em Pernambuco, o crime de feminicídio contra uma fisioterapeuta, provocou uma reação de todos os setores da sociedade, que se mobilizou para trazer a questão para o debate em todas as instâncias. O assassinato da fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo, de 28 anos, foi a motivação para que o estado instituísse o dia 5 de abril como o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio.


Conheça a história de cada uma das colegas de profissão apresentadas no texto.


Mariane da Silva Isbarrolo, terapeuta ocupacional.Porto Alegre.


Milena Siqueira, fisioterapeuta. Minas Gerais.


Sem identificação, fisioterapeuta. Bahia.


Tássia Mirella de Sena Araújo, fisioterapeuta. Pernambuco.