Fiocruz alerta para época de alta circulação de vírus respiratórios em meio à flexibilização
Dados do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz, apontam que maior parte do país vive momento epidemiológico em que há mais casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG)

A retomada da economia, bem como a flexibilização das medidas de isolamento contra a COVID-19 em vários estados brasileiros estão ocorrendo na época em que há maior circulação de vírus respiratórios no país, segundo séries históricas do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz.


Segundo dados dos últimos anos considerados "regulares" (período de 2010 a 2015 e o ano de 2017), a incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que está associada à circulação dos vírus respiratórios, costuma ser maior exatamente nesta época na maior parte do país. A incidência representa o número de casos de uma doença para cada 100 mil habitantes de uma determinada região.


De acordo com Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, “em termos de vírus respiratórios, quanto mais a gente interage, do ponto de vista populacional, com outras pessoas, quanto mais circula na cidade, frequenta ambientes com maior número de pessoas, mais fácil é a transmissão. Então a gente está facilitando [ao abrir]". 

Sul e Sudeste

Na regional sul, que engloba os estados do Sul, São Paulo e Minas Gerais, o momento de maior incidência de SRAG ainda está no início, já que deverá apresentar mais casos entre meados e final de maio até os dias entre o final de julho e início de agosto. Apesar disso, vários estados na região também já começaram a sinalizar aberturas. Em São Paulo, o governo anunciou flexibilizações e aberturas econômicas a partir de 1º de junho. 


Segundo Marcelo Gomes, um dos fatores que devem ser levados em conta ao considerar o relaxamento das medidas é, justamente, o número de novos casos. Aumento nos números ou mesmo a estabilidade significam que o vírus ainda está presente. "Se ainda não começou a cair, é porque ainda não está sendo difícil para o vírus encontrar novos indivíduos para infectar", avalia. Um dia depois do anúncio de flexibilizações em São Paulo, o estado registrou o número mais alto de novos casos para um período de 24 horas desde o início da pandemia: 6.382.


Outro fator a ser considerado na reabertura da economia  é a capacidade hospitalar para atender novos pacientes. “Se ainda não está numa fase de declínio – não apenas decair, mas decair bastante o número de novos casos – a gente não deveria falar em flexibilização do isolamento social, porque a rede hospitalar ainda está sobrecarregada e a gente ainda está com o vírus circulando. Se flexibilizar, vai ter um aumento do número de novos casos com uma rede que não vai conseguir dar conta", avalia.