Fisioterapeutas pesquisadores publicam recomendações sobre utilização de recursos da telessaúde
Grupo avaliou cenário da aprovação emergencial de regras para utilização de recursos para assistência remota durante a pandemia da COVID-19 e revelou que tanto profissionais quanto pacientes ainda oferecem resistência ao modelo

O Brazilian Journal of Physical Therapy publicou, nos meses de junho e agosto, duas colaborações de pesquisadores, a respeito da utilização dos recursos da telessaúde e da telereabilitação, a partir de sua autorização provisória, para utilização durante a pandemia da COVID-19. Os textos A pandemia de COVID-19 e a regulamentação do atendimento remoto no Brasil: novas oportunidades às pessoas com dor crônica”, e Strategies for a safe and assertive telerehabilitation practice são de autoria dos pesquisadores Iuri Fioratti, Felipe Reis, Lìvia Fernandes e Bruno Saragiotto.


A publicação de Resoluções por diferentes Conselhos de fiscalização de profissionais da área da saúde - inclusive pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), por meio da Resolução 516/2020 - ocorreu de maneira emergencial, com o objetivo de evitar que pacientes em todo o Brasil ficassem desassistidos, em razão das medidas de isolamento e distanciamento social, decretadas por governos estaduais a partir de março passado, o que restringia, ou inibia, o acesso aos serviços de saúde. 


No entanto, os pesquisadores citam que, embora a regulamentação, ainda que precária, tenha respondido à necessidade de manter o contato entre profissionais de saúde e pacientes, “não houve orientações suficientes para a correta implementação por parte dos profissionais e muito menos a avaliação das necessidades e capacidade de acesso a essa tecnologia por parte da nossa população para ótima estabelecimento dessa modalidade no Brasil”.


Prevenção aos riscos da descontinuidade da assistência


Publicada em junho, a Carta ao Editor, com o título “A Pandemia de COVID-19 e a regulamentação do atendimento remoto no Brasil: novas oportunidades às pessoas com dor crônica” avalia que a oferta de serviços de saúde a distância, como a telessaúde, são um meio alternativo para garantir a continuidade da assistência, especialmente para pacientes que sofrem com dores crônicas. Para essa população a descontinuidade do tratamento pode significar piora dos sintomas e incapacidades. 


Outra questão avaliada pelo grupo de pesquisadores nessa Carta ao Editor,  é a própria necessidade de mudança de paradigma, e a adoção de novos comportamentos, tanto por profissionais quanto por pacientes, para que a reabilitação remota  apresente bons resultados. Na avaliação dos pesquisadores, nos casos de assistência remota ao paciente com dor  crônica, o profissional precisa pensar como um estrategista, para auxiliar o paciente a contribuir para o alcance dos objetivos terapêuticos. O paciente, por sua vez, precisa se envolver ativamente, numa postura de autogestão, para que a estratégia desenhada pelo profissional tenha resultados..


Recomendações para otimizar o teleatendimento


No editorial  Strategies for a safe and assertive telerehabilitation practice, publicado em agosto último, os autores - ainda avaliando a oferta da telessaúde e telereabilitação no contexto da pandemia da COVID-19 e a insegurança dos profissionais de saúde brasileiros, que receberam pouca ou nenhuma orientação sobre a telereabilitação e a telessaúde - apresentam recomendações para melhor aproveitamento da modalidade remota de assistência.


Considerando a pouca intimidade dos profissionais na utilização do recurso e possíveis limitações dos pacientes, os pesquisadores elencam algumas recomendações práticas, para guiar os profissionais, de forma que possam fazer o melhor uso dos recursos tecnológicos para ofertar, de forma adequada ao meio digital, uma assistência eficiente e eficaz aos pacientes.


Dentre as recomendações, destacam-se a necessidade de o compreender as limitações de acesso dos pacientes aos meios virtuais de comunicação; a consideração às necessidades e os desejos do paciente em relação ao tratamento; a busca pelo desenvolvimento de estratégias que mantenham o paciente motivado; a necessidade de  manutenção de uma comunicação fluente e de  linguagem simples e - o mais importante - a garantia de que toda a base da telereabilitação tenha fundamentos nas evidências científicas.


Para acesso aos textos, clique em:


Carta ao Editor

A pandemia de COVID-19 e a regulamentação do atendimento remoto no Brasil: novas oportunidades às pessoas com dor crônica


Editorial  

Strategies for a safe and assertive telerehabilitation practice