Em abordagem conjunta, as Câmaras Técnicas de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em Gerontologia do Crefito-3 apresentam reflexões para um cuidado que reconheça a história, as escolhas e a singularidade de cada pessoa.
Profissionais podem avaliar o RBPF e propor manutenção, atualização, exclusão ou inclusão de procedimentos até dia 15 de novembro de 2026
Mensagens fraudulentas utilizam o nome e a imagem do Conselho, alegam pendências financeiras e ameaçam a negativação do nome do profissional.
Publicado em: 01/10/2026
Dia Internacional da Pessoa Idosa: autonomia, respeito e protagonismo no cuidado
Em abordagem conjunta, as Câmaras Técnicas de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em Gerontologia do Crefito-3 apresentam reflexões para um cuidado que reconheça a história, as escolhas e a singularidade de cada pessoa.
Celebrado em 1º de outubro, o Dia Internacional da Pessoa Idosa convida à reflexão sobre como a sociedade reconhece e respeita o envelhecimento. Para fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, esse compromisso também se expressa na comunicação, na construção do plano terapêutico e na valorização da participação da pessoa idosa nas decisões sobre sua vida. Com esse propósito, as Câmaras Técnicas de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em Gerontologia do Crefito-3 reuniram orientações que articulam as perspectivas das duas profissões. O ponto de partida é comum: envelhecer não significa voltar a ser criança, e a necessidade de auxílio não deve apagar a autonomia, a identidade ou os desejos de ninguém. 1. Comunique-se com respeito, sem infantilizar A pessoa idosa é adulta e deve ser reconhecida em sua identidade e individualidade. Evite diminutivos como “mãozinha”, “pezinho” e “perninha” quando utilizados de maneira infantilizante, assim como expressões que desqualifiquem sua compreensão ou participação. Também não presuma intimidade: chamar alguém de “vô” ou “vó” pode não corresponder à maneira como essa pessoa deseja ser tratada. Pergunte como ela prefere ser chamada e utilize uma linguagem clara, acessível e respeitosa. 2. Escute e valorize o que importa para a pessoa A escuta qualificada permite conhecer sentimentos, receios, interesses e expectativas. Mais do que ouvir uma queixa, é necessário compreender quais atividades, relações e projetos têm significado na vida daquela pessoa. Considere o que ela deseja manter, retomar ou transformar em seu cotidiano. Essas informações devem orientar a construção de objetivos que façam sentido para sua realidade. 3. Inclua a pessoa idosa nas decisões sobre o cuidado Autonomia envolve a possibilidade de escolher, decidir e conduzir a própria vida, considerando valores, necessidades e possibilidades. Precisar de ajuda para realizar uma atividade não significa, por si só, deixar de participar das decisões. Explique os objetivos do acompanhamento, as intervenções propostas e os critérios de continuidade e alta. Ofereça condições para que a pessoa compreenda as informações, manifeste dúvidas e expresse suas preferências, inclusive quando não desejar uma intervenção. A discordância deve ser acolhida com escuta e diálogo, buscando compreender suas razões. 4. Escolha recursos e atividades com propósito e significado Materiais e atividades terapêuticas devem considerar a história, os interesses, o contexto de vida e os objetivos do cuidado. Sua escolha exige indicação e raciocínio profissional, evitando propostas padronizadas ou infantilizantes. Um recurso lúdico não é, por si só, inadequado. O essencial é que sua utilização tenha propósito terapêutico, respeite a condição adulta da pessoa e considere sua aceitação e os significados que ela atribui à atividade. 5. Reconheça que cada trajetória de envelhecimento é única Pessoas da mesma idade podem apresentar necessidades, capacidades, experiências e projetos muito diferentes. Por isso, uma conduta adequada para alguém não deve ser automaticamente reproduzida para outra pessoa. A avaliação e o plano de cuidado devem considerar aspectos funcionais, cognitivos, emocionais, sociais e ambientais, além das ocupações e das formas de participação no cotidiano. Reconhecer essa singularidade é valorizar o protagonismo da pessoa em sua própria história. 6. Preserve a privacidade e a dignidade Quedas, alterações cognitivas, dificuldades funcionais e outras situações de vulnerabilidade não devem ser transformadas em conteúdo para gerar engajamento. Preservar a intimidade e evitar exposições constrangedoras também fazem parte da ética profissional. A dignidade da pessoa deve orientar tanto o atendimento quanto a comunicação sobre ele. Cuidar é reconhecer a pessoa para além da idade Na Fisioterapia e na Terapia Ocupacional, o cuidado centrado na pessoa se concretiza na escuta, no respeito às escolhas e na construção compartilhada de caminhos que favoreçam a funcionalidade, a autonomia e a participação social. Neste Dia Internacional da Pessoa Idosa, o Crefito-3 reforça: respeitar o envelhecimento é reconhecer histórias, valorizar decisões e assegurar que a pessoa continue sendo protagonista de sua vida. Conteúdo elaborado conjuntamente pelas Câmaras Técnicas de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional em Gerontologia do Crefito-3.