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Publicado em: 23/10/2015

Pesquisa usa células-tronco para regenerar articulações

Uma experiência inédita realizada no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) que pode transformar o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) para o desgaste das articulações entre os ossos foi apresentado no Congresso Mundial de Ortopedia, na China, e agora entra na segunda fase. A pesquisa do cirurgião ortopedista Eduardo Branco, do Into, tem potencial para aposentar, no futuro, as próteses sintéticas tradicionais utilizadas em milhares de pacientes com artrose.

O médico investiga um tipo específico de célula-tronco no líquido que reveste as articulações do corpo, como as do joelho, quadril e ombro. É o líquido sinovial. Seu objetivo é que, estimuladas com células-tronco, as articulações do corpo possam se regenerar sem a necessidade de colocação de próteses sintéticas, como ocorre hoje, convencionalmente.

“Uma característica das células-tronco é que elas são capazes de formar novas células a partir de uma célula inicial. No caso das células do líquido sinovial, o que verificamos em laboratório é que o maior potencial delas é de formar cartilagens”, observa o pesquisador, que apresentou na China os resultados da primeira fase de estudos, a fase laboratorial. Na sequência, começa a investigar as vias que diferenciam as células-tronco em cartilagens.

Eduardo Branco ressalta que as experiências em pessoas com artrose poderão ocorrer dentro de cinco a 10 anos. “É um caminho um pouco mais longo até para garantir a segurança do paciente. Um cenário é trabalhar em laboratório, onde consigo manipular essas células em um ambiente totalmente controlado. Quando coloco em um organismo vivo, a resposta é muito mais complexa”, ressalta.

O pesquisador esclarece que o envelhecimento da população brasileira, assim como a mundial, é um dos fatores de risco para o maior desenvolvimento de artroses. Hoje, 20% da população brasileira têm mais de 60 anos.

“A gente está vivendo mais, está danificando mais esse tecido das articulações e está a mais tempo exposto ao que faz a nossa articulação degenerar. Isso nos preocupa em saúde pública, tanto na questão da qualidade de vida quando na questão do custo para o SUS”, acrescenta.

O Into é um complexo que extrapola a atuação assistencial. Neste mês, a instituição formou seus primeiros mestres. O curso de Mestrado Profissional em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético do Into, aprovado pelo Ministério da Educação, capacita há dois anos profissionais das áreas biológicas e da saúde para o diagnóstico, tratamento e reabilitação de pacientes com doenças do sistema locomotor.

Com informações do Portal Brasil