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Publicado em: 26/06/2020
Governo de SP anuncia que Butantan será parceiro de laboratório chinês para vacina contra a COVID-19
Empresa fornecerá ao Butantan doses da vacina para realização de testes clínicos em voluntários no Brasil. Se bem sucedida, vacina poderá ser produzida no país e disponibilizada aos brasileiros.
Recentemente, o governador de São Paulo João Doria anunciou que o Instituto Butantan será parceiro de laboratório chinês para produção de vacina contra a COVID-19 que se encontra em fase final de testes. "Hoje é um dia histórico para São Paulo e para o Brasil, assim como para a ciência mundial. O Instituto Butantã fechou acordo de tecnologia com a gigante farmacêutica Sinovac Biotec para a produção da vacina contra o coronavírus. Os estudos indicam que ela estará disponível no primeiro semestre de 2021, ou seja, até junho do próximo ano. E com essa vacina nós poderemos imunizar milhões de brasileiros", disse o governador João Doria. Segundo o governo, a empresa fornecerá ao Instituto Butantan as doses da vacina para a realização de testes clínicos da fase 3 em voluntários no Brasil. "O acordo prevê a participação de São Paulo na realização de testes clínicos dessa vacina, com o acompanhamento de 9 mil voluntários brasileiros a partir do próximo mês de julho, dentro, portanto, de 3 semanas, 9 mil voluntários já estarão sendo testados aqui no Brasil", afirmou o governador. Se bem sucedida nos testes, a vacina poderá ser produzida nacionalmente e disponibilizada aos brasileiros. Os estudos clínicos no Brasil serão iniciados após a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e dos comitês de ética em pesquisa. Vacinas A vacina da Sinovac Biotech já foi aprovada para testes clínicos na China e usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do novo coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização. Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que o vírus não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe). A vacina implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado e, quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune. Cientistas chineses chegaram à fase clínica de testes (ensaios em humanos) em outras três vacinas. Uma produzida por militares em colaboração com a CanSino Biologics, e mais duas desenvolvidas pela estatal China National Biotec. Além da parceria chinesa, outra vacina também será testada no Brasil. Desenvolvida por pesquisadores de Oxford, a ChAdOx1 está na terceira e última fase dos ensaios clínicos. Dois mil brasileiros serão voluntários neste estudo dividido entre São Paulo e Rio de Janeiro. A estratégia faz parte de um plano de desenvolvimento global e o Brasil será o primeiro país fora do Reino Unido a começar a testar a eficácia da imunização contra o Sars-CoV-2, já que o Brasil ainda registra prevalência da COVID-19, ponto importante para garantir a eficácia dos estudos.