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Publicado em: 08/07/2020

Uso indiscriminado de álcool 70% aumenta casos de queimaduras durante pandemia

Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) registra aumento em casos de queimaduras por álcool 70% após publicação de portaria da Anvisa que libera comercialização do produto.

Desde o dia 19 de março, quando a RDC 350/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  flexibilizou a comercialização do álcool 70% e outros produtos sanitizantes, o número de queimaduras vem aumentando. A medida da Anvisa é extraordinária e temporária, devido à situação de emergência de saúde pública provocada pelo novo coronavírus. Com a pandemia, a Anvisa decidiu aumentar a oferta desses produtos no mercado para que a sociedade tivesse mais acesso a itens de proteção. 


De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), os números de  queimaduras provocadas por álcool já contabilizaram mais de 100 casos no país após a publicação da Resolução da Anvisa. A SBQ tem acompanhado mais de 35 serviços de queimados em todo o Brasil e, em alguns desses serviços, foram registrados um aumento de 2 A 2,5% nos Casos. Segundo a entidade, cerca de 360 pessoas foram internadas em razão de acidentes graves com queimaduras.


Segundo a terapeuta ocupacional Dra. Iara Montefusco Floriano, que há sete anos atua com a questão da prevenção de acidentes com dispositivos que possam causar incêndios e queimaduras, a manipulação indevida do álcool faz com que as pessoas  corram riscos e coloquem outras pessoas em situação perigosa. De acordo com Dra. Iara, as queimaduras são a quarta maior causa de mortes em crianças e, a fim de reduzir os acidentes com queimaduras é importante entender que o álcool foi feito para esterilização e deve ser usado de maneira controlada. A terapeuta ocupacional alertou que a prevenção é fundamental para evitar esses acidentes, especialmente dentro de casa, onde o indicado para higienizar as mãos é a lavagem com água e sabão apenas. 


Álcool gel


A terapeuta ocupacional também fez um alerta sobre o álcool gel, que pode pegar fogo. Embora a chama seja imperceptível, o produto é inflamável e pode causar queimaduras. Ela explicou que apesar de não ser um álcool explosivo e estar em forma de gel com outros excipientes, o produto continua a apresentar potência de fogo.


O fisioterapeuta Dr. Fábio Jakaitis explicou que o uso do álcool gel em excesso forma resíduos na mão, podendo contaminar e irritar a pele, especialmente, se a pessoa for alérgica. Dr. Fábio alertou ainda que o uso inadequado pode causar dermatites e lesões abertas em peles ressecadas ou em pessoas alérgicas. Segundo o fisioterapeuta, a forma correta de usar o álcool gel é aplicar uma pequena quantidade no palma da mão, para o efeito de desinfecção, com movimentos de passagem por toda a superfície. Além disso, deve-se evitar o uso próximo de locais inflamáveis, aguardar a evaporação do produto antes de se aproximar destes locais e evitar o uso em excesso. 


Atuação


Conforme explicou Dra. Iara, a Terapia Ocupacional é uma das áreas que atuam no tratamento e cuidado do paciente vítima de queimadura. A terapeuta ocupacional disse que o olhar do profissional não vê a queimadura como um acometimento físico, apenas, pois a queimadura tem um caráter muito mais amplo. Ela explicou também que o paciente queimado é uma pessoa que sente muita dor e, dependendo do grau de queimadura, tem perda funcional muito grande. Por isso, o profissional deve ampliar o olhar para as questões das atividades de vida diária do paciente para readequá-lo.

A Fisioterapia também tem um importante papel no tratamento e reabilitação de pacientes vítimas de queimaduras. Em conjunto com uma equipe multidisciplinar na recuperação de queimados, a Fisioterapia tem atuação ímpar, podendo diminuir sequelas e trazer benefícios imediatos e a longo prazo. Após avaliação inicial, o fisioterapeuta dará início à avaliação da capacidade do paciente em se  movimentar, e medirá a amplitude de movimentos da qual dispõe o paciente. Dr. Fábio disse que na fase aguda, o profissional irá realizar com o paciente um trabalho respiratório na UTI ou no leito hospitalar, seguido da manutenção da amplitude de movimento e deformidades e ou retrações, ganho funcional e retorno às atividades funcionais.