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Publicado em: 10/07/2020

Crefito-3 aciona órgãos públicos de Educação sobre demissão em massa de docentes de Fisioterapia

Foram acionados o Conselho Nacional de Educação (CNE), o Ministério da Educação (MEC), a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES) e reitores e pró-reitores das IESs de SP.

No dia 6 de julho, o Crefito-3 encaminhou ofício ao Ministério da Educação (MEC), à Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES) e aos reitores e pró-reitores das Instituições de Ensino Superior do estado de São Paulo. O motivo do ofício foi a demissão em massa de docentes dos cursos de graduação e bacharelado em Fisioterapia. 


De acordo com o ofício encaminhado aos reitores e pró-reitores das IESs do estado, o presidente do Crefito-3, Dr. José Renato de Oliveira Leite, solicita que “a instituição de ensino não meça esforços para manter um nível de ensino e de excelência para nossos futuros profissionais da saúde, e para tal, devendo-se preservar o seu corpo docente na sua integralidade.” O documento foi enviado para instituições públicas e privadas como USP, PUC-São Paulo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e tantas outras.


O Crefito-3 reforçou a importância da formação do Fisioterapeuta, devido à

sua essencialidade na área da saúde e que a educação é uma das áreas mais importantes para a formação de uma sociedade melhor e mais justa. Para o Conselho, “o acesso ao ensino de qualidade é um direito de toda a população, sendo papel das instituições de ensino garanti-la aos alunos matriculados nas respectivas escolas. “Só conseguiremos sair da crise que o país está enfrentando, com muito trabalho e educação de ponta, já que o mercado de trabalho, cada vez mais exigente e busca profissionais qualificados”. 


Demissões


No dia 29 de junho, a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) notificou dezenas de professores de diversos cursos, dentre eles, da Fisioterapia, afirmando que a demissão se deu devido às consequências da pandemia de COVID-19. A alegação da pandemia também fez a Universidade Nove de Julho (Uninove) demitir mais de 300 professores, por e-mail. Nesse caso, os professores receberam o aviso de que estavam sendo dispensados, quando acessaram a plataforma da universidade para dar aula. Assim que o aviso apareceu, a plataforma foi fechada e os professores não tiveram mais acesso. 


Com a repercussão das demissões, estudantes da UNICID e Uninove se manifestaram contrários ao desligamento dos docentes. O assuntou alcançou os trending topics do Twitter durante vários dias. A União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL), organizaram lives para amplificar a luta pelos empregos dos docentes. 



Mobilização


No dia 23 de junho, o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) protocolou, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), um dissídio coletivo solicitando a anulação, em caráter liminar, de demissões de professores na Uninove, que mantém unidades na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Além disso, os advogados do sindicato pedem também a mediação do Tribunal na busca de uma solução para o problema.


Em nota, o Sinpro avalia os casos de demissão em massa como “fruto de uma de uma reestruturação sustentada no enxugamento da folha de pagamentos e dos serviços e aumento das margens de lucro, em detrimento da qualidade de ensino”. Para a entidade, a pandemia está servindo de laboratório para a aceleração dessa reestruturação, que só se tornou possível pela combinação de novas tecnologias e mudanças na legislação educacional e, sobretudo, pela conivência do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação.


O Crefito-3 aguarda, ainda, a adoção de medidas por parte dos órgãos de Educação para os quais foram encaminhados o ofício.