EaD integral para a formação de profissionais de saúde: uma opção pela precarização.
Audiência Pública realizada em São Paulo apresentou as restrições e inadequações da formação em saúde na modalidade Educação a Distância

Avaliação de alunos por amostragem. Um açougue funcionando no endereço onde deveria estar instalado um polo de atividades presenciais.  Não obrigatoriedade de avaliação pelo MEC, de mais de 8 mil cursos. A realidade da Educação a Distância (EaD) hoje no Brasil é a principal motivação de representantes das 14 profissões da área da Saúde para colocar em xeque a viabilidade dessa modalidade de ensino para os cursos de graduação nessa área.

Essas informações e outros dados relativos ao EaD no Brasil foram apresentadas durante a Audiência Pública Impactos e riscos do Decreto 9057/17 (EaD) na formação superior em saúde, realizada nesta terça-feira, 03 de outubro, na Assembleia Legislativa de São Paulo, após convocação do deputado estadual Carlos Neder (PT-SP). Neder é autor de um projeto de lei que proíbe a oferta de graduação na modalidade EaD na área de saúde no estado de São Paulo.

Participaram dos debates representantes dos Conselhos Regionais, profissionais e estudantes da área da Saúde, além de representantes das instituições de ensino que oferecem curso na modalidade EaD.

Dr. José Renato de Oliveira Leite, presidente do Crefito-3 destacou a importância de as profissões da área da saúde estarem reunidas e colocando o tema em debate para a sociedade. “Essa discussão é de grande importância, mas não em defesa das profissões. Estamos aqui para garantir a segurança da assistência de saúde prestada à população. Estamos unindo nossas forças em defesa da sociedade”, afirmou. Na Fisioterapia, já existem 12 cursos de graduação a distância autorizados pelo MEC. Para a Terapia Ocupacional, até o momento, existe apenas um.

Dentre as apresentações, coube à Dra. Zilamar Costa Fernandes, representante do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde, apresentar os dados que preocupam todos aqueles contrários à oferta de cursos de graduação na área da saúde integralmente a distância, com o apoio esporádico de polos regionais.

Dª Zilamar destacou que existem hoje 2,5 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação integralmente em EaD, e que existem hoje, autorizadas, mais de 275 mil vagas abertas para graduação em cursos de saúde a distância. “A justificativa do poder executivo para a ampliação de vagas de graduação na modalidade EaD foi a de atender uma demanda social, facilitando o acesso de locais onde o acesso à formação superior é remoto. Mas isso é uma mentira”. Segundo Drª Zilamar, grande parte dos polos presenciais, para atividades práticas como laboratórios e outros, estão localizados em estados que já contam com grande número de vagas em cursos presenciais.

Outra informação destacada pela representante do fórum federal foi o reduzido número de polos que têm sua qualidade e adequação avaliados pelo MEC – apenas 129 dentre os 8.572 existentes. O Conselho Federal de Enfermagem, em uma ação realizada em vários estados, encontrou açougue e padaria em endereços onde, teoricamente, existiriam polos regionais de apoio aos cursos de EaD de graduação em Enfermagem.

“Não existe a necessária integração ensino-serviço nos cursos de EaD na saúde. Os pilares da educação, sustentados pelo conhecer, pelo fazer e pelo aplicar, são inviáveis na forma atual do EaD”, concluiu Drª Zilamar.

 

Acompanhe a reportagem completa sobre os impactos e riscos da Educação a Distância na área da saúde na edição nº 2 da revista Crefito-3 em Movimento.