A Terapia Ocupacional ensina que a organização da vida diária, os vínculos sociais e as atividades com sentido são elementos que promovem o bem-estar psíquico
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Publicado em: 26/01/2026
Janeiro Branco: saúde mental começa na rotina e nas escolhas do cotidiano
A Terapia Ocupacional ensina que a organização da vida diária, os vínculos sociais e as atividades com sentido são elementos que promovem o bem-estar psíquico
O Janeiro Branco é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a importância da saúde mental. Realizado no início do ano, o movimento propõe uma reflexão sobre a forma como as pessoas organizam suas vidas, constroem relações, lidam com o trabalho, o descanso e os desafios cotidianos. A campanha reforça que o cuidado em saúde mental é contínuo e se constrói no dia a dia, ao longo de todo o ano.
Nesse contexto, a Terapia Ocupacional tem papel fundamental, pois atua diretamente na relação entre saúde mental, cotidiano e participação social. Para a terapeuta ocupacional Dra. Sabrina Slivinskis, coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Mental do Crefito-3; mestre em Psicogerontologia, especialista em Saúde Mental e em Dependências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a forma como as pessoas vivem suas rotinas influencia diretamente o bem-estar psíquico. “A saúde mental está profundamente relacionada à forma como as pessoas organizam, sentem e atribuem sentido às suas ocupações”, afirma.
A organização da vida diária como base do bem-estar psíquico
Dra. Sabrina explica que “ocupações” são todas as atividades que estruturam a vida diária, como as atividades instrumentais de vida diária; o trabalho; o estudo; o lazer; o descanso; o sono; o brincar, e a participação social. “Quando essas ocupações estão equilibradas, significativas e compatíveis com as condições físicas, emocionais e sociais do indivíduo, elas funcionam como fator de proteção psíquica, promovendo identidade, pertencimento, autonomia e propósito ao viver”, explica.
Por outro lado, rotinas marcadas por sobrecarga, ausência de pausas, isolamento social, privação de lazer ou perda de papéis ocupacionais importantes tendem a intensificar o sofrimento psíquico. Para a terapeuta ocupacional, o Janeiro Branco convida justamente a olhar para o cotidiano como espaço central de cuidado. “O bem-estar não se constrói apenas em momentos pontuais, mas na forma como a vida é organizada e vivida todos os dias”, reforça.
Com uma trajetória de 15 anos de atuação na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no município de São Paulo, a Dra. Sabrina destaca que os desafios relacionados à saúde mental estão profundamente ligados às condições concretas de vida da população. Entre os mais recorrentes, ela cita a precarização das condições sociais, o desemprego, o trabalho informal, a violência urbana e doméstica, o estigma, o uso problemático de álcool e outras drogas e a fragilização das redes de apoio.
Reorganizar o cotidiano: caminho para a reabilitação psicossocial“Outro desafio importante é a dificuldade de reorganização do cotidiano após crises em saúde mental ou longos períodos de adoecimento, quando a pessoa perde vínculos, papéis sociais e referências de rotina”, destaca Dra. Sabrina. Nesses casos, o sofrimento ultrapassa os sintomas clínicos e se manifesta na dificuldade de retomar uma vida com sentido, autonomia e participação social, o que reforça a importância de uma rede de atenção psicossocial territorializada e centrada na vida real das pessoas.
Na atenção às pessoas com dependências, a Terapia Ocupacional atua de forma estratégica na reconstrução do cotidiano. “Muitas vezes, a rotina está organizada em torno do uso da substância ou do comportamento compulsivo”, explica a especialista. O trabalho terapêutico envolve apoiar a retomada do autocuidado, dos vínculos sociais, do acesso ao trabalho, à educação, à cultura e ao lazer, respeitando o tempo e a singularidade de cada trajetória. Essa reorganização da vida cotidiana é um eixo central da reabilitação psicossocial e da redução de danos.
Envelhecimento e saúde mental: o papel da rotina e da participação social
Dra. Sabrina também chama atenção para os cuidados com a saúde mental da população idosa, especialmente diante do envelhecimento demográfico. O isolamento social, a perda de vínculos, o luto e a redução das oportunidades de participação podem impactar negativamente o bem-estar psíquico. “A organização de uma rotina que favoreça o convívio, o sentimento de utilidade, o pertencimento e a autonomia é essencial para a promoção da saúde mental na velhice”, destaca.
Para além do Janeiro Branco, a Dra. Sabrina reforça que cuidar da saúde mental é um compromisso cotidiano. Entre as orientações, ela destaca a importância de equilibrar trabalho, descanso, lazer e autocuidado, fortalecer vínculos sociais, reservar tempo para atividades significativas e buscar ajuda profissional sempre que o sofrimento interferir na vida diária. “Cuidar da saúde mental é, antes de tudo, cuidar da vida que se constrói nos pequenos gestos do cotidiano”, conclui.
Para ler a íntegra da entrevista com a Dra. Sabrina Slivinskis, CLIQUE AQUI