Descomplicar a leitura de radiografias de afecções pleurais foi a proposta de palestra no Crefito-3
Dr. José Renato destacou graus de dificuldade na leitura de exames com maior opacidade – caso das coleções pleurais -, ou com hipertransparência, como no pneumotórax

Nesta 5ª feira, 6 de junho, o Crefito-3 recebeu fisioterapeutas e acadêmicos de Fisioterapia para mais uma edição do “Descomplica, que hoje é 5ª”, que apresentou a segunda parte do tema “Descomplicando a Radiografia do Tórax”, dessa vez com foco na leitura e interpretação das imagens torácicas que apresentam afecções pleurais. Na primeira parte, apresentada em 16 de maio, o assunto abordado foi a Radiografia convencional do tórax normal - como se avalia, por onde começar e terminar essa avaliação, oferecendo uma base radiológica e uma linguagem atualizada.


Na palestra de ontem, Dr. José Renato de Oliveira Leite, presidente do Crefito-3 e com anos de experiência profissional na coordenação do curso de especialização em Fisioterapia Cardiorrespiratória nas Unidades de Internação Geral e Terapia Intensiva do InCor (HCFMUSP) e como supervisor do curso de aprimoramento em Fisioterapia Cardiorrespiratória do InCor, apresentou ao público as doenças pleurais, enfatizando o processo de avaliação dessas afecções, das lesões, e de outras situações que acometem a pleura.


Baixo custo e menor precisão


Segundo Dr. José Renato, a radiografia costuma ser um exame de baixo custo e, por essa razão, mais facilmente disponível em muitas instituições e tem potencial para apoiar a sugestão de um diagnóstico e de apoiar a conduta a ser adotada. Mas o fato de ser um exame mais facilmente acessível e barato, expõe a sua limitação: é uma tecnologia antiga, mais barata, com muitas limitações técnicas.“”Quanto menos sofisticado o exame, mais difícil a sua leitura e interpretação”, explicou o palestrante.


Dentre essas limitações técnicas e que exigem que o fisioterapeuta “treine o olhar” para leitura e interpretação do exame, está a questão da variação de densidade nos diferentes tecidos corpóreos, e a influência que isso tem na produção da imagem radiográfica.


“A passagem do Raio-X por um determinado tecido depende muito do que nós chamamos de fator de densidade radiológico. Quanto mais densa for uma estrutura, de um tecido, maior será a dificuldade do Raio-X atravessá-la”, relatou Dr. José Renato.


O grau de dificuldade, explicou o palestrante, difere entre as estruturas. Nos ossos, o grau de dificuldade é mais elevado, deixando a imagem branca, com opacidade. Nas partes moles, ou líquidos, a dificuldade é menor. “Nessas partes, o Raio-X atravessa , mas deixa uma sombra, à qual chamamos de “sombra isodensa”, numa tonalidade meio cinza, tanto para partes moles como líquidos e gordura em nosso corpo”.


O material de densidade mais baixa, próxima de zero, encontrada no corpo humano, é o ar, por onde o Raio-X passa com facilidade. “Ele atravessa o ar e deixa uma sombra escura, à qual  chamamos de hipertransparência, no campo pulmonar”. Dr. José Renato esclareceu que são essas diferenças, na escala de densidade, que tornam possível a realização do diagnóstico por meio de radiografias.  .


Imagens em diferentes densidades ilustraram apresentação


Partindo da apresentação de imagens radiográficas de leitura mais simples, até chegar às imagens de maior dificuldade, o palestrante explicou que, do ponto de vista radiológico, existem três possibilidades de imagens: aquelas com hipotransparência (opacidade ou opacificação) - que podem surgir em condições normais ou patológicas -, as imagens com transparência e as imagens com hipertransparência. “É muito mais fácil diagnosticar uma opacidade, do que uma hipertransparência. É muito mais fácil fazer o diagnóstico de uma coleção pleural do que de uma coleção aérea, como um pneumotórax”.

Sobre a hipotransparência normal, Dr. José Renato exemplificou as situações em que ela surge. “Quando o raio tenta atravessar os ossos, as partes moles e os líquidos - basicamente coração, vasos e músculos, constituem opacidades normais em uma radiografia”.

Para as opacidades patológicas, o palestrante lembrou aos participantes o fato de que o pulmão tem uma densidade muito baixa. “Se tivermos uma estrutura com alguma densidade maior que a do pulmão, o desenho, certamente, vai ficar na tela , vai aparecer no campo pulmonar”.   Essa densidade maior pode ser provocada por consolidações, atelectasias, pneumonias, broncopneumonias, coleções pleurais ou nódulos pulmonares.


“Sem conhecimento, não vamos a lugar nenhum”


Em diferentes momentos da apresentação, Dr. José Renato chamou  atenção para o fato de que, embora importante para a Fisioterapia, o exame radiográfico é um complemento. “Para o fisioterapeuta, continua a ser muito importante o exame físico, a utilização da propedêutica, a avaliação do quadro clínico do paciente e a relação deste com o exame de imagem”.

Também alertou os presentes sobre a necessidade de aprimoramento constante em sua área de atuação. “Nós, profissionais, nunca vamos chegar a lugar nenhum, se não ampliarmos nossos conhecimentos e as oportunidades de prática”, concluiu.


A proposta do “Descomplica, que hoje é 5ª”


A palestra do Dr. José Renato abordando as afecções pleurais na radiografia do tórax foi mais um evento do calendário de atividades propostas para ocupar o Espaço do Profissional, onde o Crefito-3 realiza atividades gratuitas - sejam de cunho técnico-científico, sejam de orientação sobre carreira, legislação, entre outras - voltadas a fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e acadêmicos das duas áreas, que  atuem profissionalmente ou residam na área de abrangência do Conselho.


Próximo tema do Descomplica, que hoje é 5ª!:

(Inscrições serão abertas no site http://bit.ly/EventosCrefito3)


DESCOMPLICANDO A REABILITAÇÃO CARDÍACA

27 de junho | 19h

Palestrante: Dr. Elias Ferreira Porto