Ventiladores produzidos pela UFRJ podem atender UTIs de todo o país
O VExCo é um o ventilador de recurso simples, seguro e emergencial, que deve ser utilizado somente quando não houver um equipamento padrão disponível, como já vem acontecendo em vários locais.

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em parceria com Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) concluíram testes em vitro com os ventiladores de exceção produzidos com baixo custo para serem usados no tratamento de pacientes vítimas da COVID-19. No dia 27 de abril, os resultados foram encaminhados à Anvisa para aprovação. O equipamento também passará pelo crivo da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para testagem em pacientes no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).


A delegada e Coordenadora dos Agentes Fiscais Especiais do Crefito-3 Dra. Fernanda Cristina Ferreira de Camargo explicou que no momento de pandemia em que o mundo enfrenta, bem como relatos de profissionais escolhendo quais pacientes terão prioridade no uso da ventilação mecânica, a criação de novos ventiladores é válida e pode salvar vidas, se bem empregado. “Embora sejam menos versáteis que os ventiladores de última geração, é possível atender aos pacientes com a COVID-19 por meio dos ventiladores de exceção. Apesar de não ser o mundo ideal, é possível, desde que bem testado e com capacidade comprovada para garantir a segurança do paciente”, disse. 


VExCo

Segundo o coordenador do projeto, professor da Coppe Jurandir Nadal, “o VExCo é um recurso simples e seguro, porém emergencial, que deve ser utilizado somente quando não houver um equipamento padrão disponível, como já vem acontecendo em vários locais durante a pandemia global”. O equipamento foi desenhado para produção em massa, de forma simples, rápida e barata, com recursos disponíveis no mercado nacional.  “Esperamos arrecadar R$ 5 milhões para produzir até 1.000 ventiladores. Eles não serão comercializados, serão distribuídos para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por meio de um grande estudo de aplicação clínica”, afirma o coordenador. 


Dra. Fernanda explica que a crescente demanda de necessidade de ventilação mecânica para atender pacientes em decorrência da pandemia de COVID-19 nas próximas semanas, deve ultrapassar 20 mil equipamentos do tipo. “Será fundamental evitarmos a falta de ventiladores mecânicos para mitigarmos a chance do que é mais temido pelos profissionais e autoridades de saúde no geral, o risco de terem que escolher quem poderá usar o equipamento de ventilação mecânica, devido a sua escassez de disponibilidade nos hospitais”. A fisioterapeuta e uma das coordenadoras da Frente de Agentes Fiscais Especiais do Crefito-3 Dra. Marieta Cabral Amaral da Cunha ressalta que “os ventiladores menos tecnológicos devem ser priorizados para uso de pacientes com menor gravidade, uma vez que pacientes com a doença avançada demandam de pressões e cálculos de mecânica respiratória que estes ventiladores podem não fornecer.” 


Treinamento

Como fisioterapeutas intensivistas atuam diretamente com ventiladores, Dra. Fernanda explica que todo equipamento de ventilação mecânica possui suas especificidades e particularidades que requerem treinamentos para o melhor aproveitamento dos recursos, bem como, uso correto do ventilador para garantir a segurança dos pacientes. Dra. Marieta acrescenta que “os treinamentos dos ventiladores mecânicos geralmente são fornecidos por fisioterapeutas especialistas em suporte respiratório, que possuem conhecimento técnico e atuam diretamente na utilização e comercialização junto aos fabricantes e distribuidores.”