Aumenta número de adolescentes que buscam cirurgia bariátrica
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, 2.100 adolescentes passaram pelo procedimento, na rede privada, em 2019 - um aumento de 218% em comparação a 2008.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, apontou que 2.100 adolescentes passaram pelo procedimento cirúrgico, na rede privada, em 2019. Isto significa um aumento de 218% em comparação a 2008, quando a bariátrica em menores de 18 anos começou a ser computada no País. No SUS, o número é menor. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 502 jovens entre 16 e 18 anos fizeram a cirurgia da obesidade nesse período.


Conforme explicou a fisioterapeuta e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Dra. Karla Cusmanich, a obesidade é uma doença multifatorial que traz ao organismo diversas disfunções em vários sistemas. O fisioterapeuta pode atuar em diversas áreas com este paciente, desde o pré e o pós-operatório, como nas dores articulares, na funcionalidade, nas disfunções uroginecológicas (incontinências), no preparo da pele e couro cabeludo, nas alterações cardiovasculares e respiratórias, dentre outras com uma visão funcional e global. “Quando o paciente inicia o processo de preparação para a cirurgia, o fisioterapeuta irá avaliar o paciente e prepará-lo com o treinamento e as orientações necessárias para minimizar os riscos e as alterações que podem ocorrer. O foco principal no pré operatório é o treinamento respiratório e cardiovascular, além da conscientização deste paciente e, por vezes, de seus familiares, sobre pontos importantes”. 


No pós-operatório imediato, a preocupação continuará sendo com as alterações cardiovasculares e respiratórias, que ainda podem ocorrer nas primeiras semanas após o procedimento. Por isso, é de fundamental importância que o paciente esteja bem orientado, treinando e fazendo seus exercícios respiratórios e funcionais. A fisioterapeuta explicou, ainda, que no pós-operatório tardio, o foco  passa a ser na evolução que irá acontecer com a perda de peso e a readaptação deste organismo. “O fisioterapeuta pode ajudar no treino funcional, na manutenção de musculatura com o pilates por exemplo, na área Dermatofuncional com as drenagens e a tricologia capilar, entre outros procedimentos, na Uroginecologia, no treino de assoalho pélvico. A equipe vai depender de novas avaliações e também de estabelecer, junto ao paciente, as prioridades, focos e objetivos a serem alcançados”. 


Adolescentes

Segundo o Conselho Federal de Medicina, o paciente pode operar a partir dos 16 anos de idade, se tiver indicação. Dra. Karla ressaltou que os casos mais jovens precisam ser discutidos delicadamente, já que o ideal é aguardar a formação óssea ou o pico de crescimento do paciente. “A cirurgia trará diversas mudanças ao organismo e, por isso, deve ser sempre cuidadosamente indicada por um cirurgião especializado.” 


Existem evidências bem claras da importância do trabalho do fisioterapeuta durante todas as etapas da cirurgia bariátrica. Dra. Karla explicou que o tratamento da obesidade deve ser feito com equipe multiprofissional especializada e que a Fisioterapia é capaz de minimizar os riscos durante o procedimento, facilitando também a alta hospitalar e a recuperação deste paciente. Sem a Fisioterapia, o paciente pode apresentar alterações como pneumonia, atelectasia, embolia pulmonar, insuficiência respiratória, dificuldade de extubação e tromboembolismo. “Estas alterações aparecem na literatura, com porcentagem maior do que as fístulas, que são complicações que podem ocorrer devido ao procedimento cirúrgico. A prevenção e o tratamento das fístulas também fazem parte do trabalho do fisioterapeuta”. 


Estudos mostram que a Fisioterapia previne intercorrências e auxilia na recuperação da função dos sistemas cardiovasculares e respiratório. Através de exercícios e técnicas fisioterapêuticas, incentivadores, aparelhos de ventilação e outras estratégias, o fisioterapeuta pode intervir, precocemente, no favorecimento do estado geral, oferecendo ao paciente uma melhor recuperação. “Além de trabalhar em equipe multiprofissional com acompanhamento contínuo e com uma visão global do ser humano, o fisioterapeuta vai buscar a  melhora da funcionalidade e da qualidade de vida deste indivíduo, nesta nova fase de sua vida”, concluiu Dra. Karla


Juntos com a Fisio


Na segunda-feira, dia 3 de agosto, às, 19 horas, Dra. Karla Cusmanich vai participar de mais uma edição da live “Juntos com a Fisio até o final”, com o tema “Como a Fisioterapia pode ajudar no tratamento da obesidade”. Acompanhe e participe ao vivo no canal do Crefito-3 no YouTube.


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