T.O.s lideram trabalho para auxiliar população em tempos de isolamento
Equipe de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, desenvolveu manuais para auxiliar a população em tempos de pandemia e isolamento social.

A pandemia de COVID-19 tumultuou a rotina das pessoas no mundo todo. As transformações foram muitas e modificaram a maneira com que as pessoas estavam habituadas a viver, a trabalhar, a se relacionar com o próximo. Para alguns, essas transformações trouxeram ansiedade, estresse, medo, angústias e preocupações. Por isso, diante dessa nova realidade que estamos vivendo, o serviço de Terapia Ocupacional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto preparou um conjunto de materiais para ajudar as pessoas de todas as idades a superar estes dias difíceis.


Em entrevista à assessoria de imprensa do HC, Dra. Daniela de Paula Daniel, chefe do Serviço de Terapia Ocupacional do Hospital das Clínicas, explicou que a ideia de produzir os materiais surgiu no momento em que a equipe precisava se afastar do trabalho presencial para o trabalho remoto. Mas, as profissionais não queriam se afastar do contato com os pacientes. Foi então que surgiu a ideia de produzir materiais que pudessem auxiliar não só os pacientes do hospital, mas a população em geral. Dra. Daniela explicou que este foi o modo que a equipe encontrou de alcançar as pessoas para que pudessem se beneficiar com o trabalho da Terapia Ocupacional mesmo à distância.


A realização deste trabalho pela equipe de Terapia Ocupacional contou ainda com o apoio de vários setores e funcionários do Hospital das Clínicas, como o Centro de Reabilitação, a equipe do Grupo Gestor do Serviço de Terapia Ocupacional, recreacionistas, oficiais administrativos, engenheiros e outros.


Materiais

A lista de materiais desenvolvidos pela equipe de Terapia Ocupacional é extensa: são vídeos, cartilhas, dicas de filmes, material para colorir, artesanato, brincadeiras, materiais de estimulação cognitiva, física e promoção de saúde mental. Tem também material para crianças, adolescentes, adultos, idosos, pacientes internados, em seguimento ambulatorial e população em geral. Além de orientações a idosos, crianças e desfralde, as terapeutas ocupacionais reuniram também informações sobre cuidados e prevenção à COVID-19; cuidados no período pós-quimioterapia e prevenção de infecções no dia a dia; orientações aos pacientes reumáticos em isolamento social e outros.


Em junho de 2020, o Crefito-3 também compartilhou um material de Terapia Ocupacional voltado às atividades com crianças durante a pandemia. O Conselho ainda realizou live sobre o tema. As terapeutas ocupacionais Dra. Mirela de Oliveira Figueiredo, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Dra. Ana Luíza Allegretti, da Universidade do Texas San Antonio (EUA), elaboraram uma cartilha de atividades para familiares realizarem com os filhos durante a pandemia de COVID-19. O material é voltado para bebês e crianças de 0 a 5 anos de idade e tem por objetivo tornar o permanecer em casa favorável ao desenvolvimento motor, cognitivo e emocional dos pequenos. A cartilha ressalta que as atividades são sugeridas de acordo com as habilidades esperadas para cada idade, mas podem continuar sendo realizadas conforme os bebês e as crianças crescem e se desenvolvem. 


Na ocasião, a Dra. Ana Allegretti explicou que a cartilha tem por objetivo favorecer que o isolamento social, o permanecer em casa, seja positivo ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de bebês e crianças de 0 a 5 anos; e também saudável para a relação entre familiares e filhos, a partir da realização de atividades e brincadeiras em casa. Para as terapeutas ocupacionais, o isolamento é necessário, mas não pode ser sinônimo de privação e sofrimento. As famílias devem usufruir deste momento dentro de suas casas para fazer uma autoanálise, conscientizar e transformar as formas de pensar e fazer, algo que é difícil e às vezes impossível na rotina “casa-trabalho”. 


Por isso, as profissionais orientam que os familiares expliquem para os para os filhos pequenos o que está acontecendo no momento. Para isso, é preciso usar de sinceridade, sensibilidade e criatividade. Conforme explicaram, as crianças têm uma capacidade de compreensão diferente dos adolescentes, adultos e idosos. Assim, cabe aos pais usar da criatividade e da sensibilidade para situar os filhos em relação à pandemia.