11 de agosto: Dia Nacional do Estudante
A data reforça e celebra a importância de um dos direitos sociais constitucionalmente garantidos dos cidadãos brasileiros: o direito à educação.

Nesta quarta-feira, dia 11 de agosto, é celebrado o Dia Nacional dos Estudantes. A data reforça e celebra a importância de um dos direitos sociais constitucionalmente garantidos a todos os cidadãos brasileiros: o direito à educação. O Dia Nacional do Estudante surgiu em 11 de agosto de 1827, quando o Imperador D. Pedro I instituiu, no Brasil, os dois primeiros cursos de ensino superior do país nas áreas de Ciências Jurídicas e Ciências Sociais. Cem anos após a instituição dos cursos, em 11 de agosto de 1927 aconteceu uma comemoração em homenagem ao feito de D. Pedro I. Na ocasião, o advogado Celso Gand Ley, que estava participando das comemorações, sugeriu aos demais participantes que, na mesma data, fosse instituído o Dia do Estudante. 


Além do Dia Nacional do Estudante, a data possui como marco  a fundação, em 11 de agosto de 1937, da União Nacional de Estudantes (UNE), que protege os direitos e deveres de todos os alunos e alunas do país. Assim como a UNE, o movimento estudantil está presente também nos cursos de graduação de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. Mobilizações de estudantes criaram a Executiva Nacional de Estudantes de Fisioterapia do Brasil (ENEFi) e a Executiva Nacional de Estudantes de Terapia Ocupacional (ExNETO). Essas entidades são responsáveis pela realização de encontros nacionais dos cursos, com o objetivo de troca de experiência e debate. No Brasil, a livre organização dos estudantes em entidades como as Executivas de Curso é garantida por lei. 


ENEFi


A Executiva Nacional de Estudantes de Fisioterapia (ENEFi) do Brasil foi fundada em 28 de julho de 2002, em João Pessoa (PB), e é uma entidade civil sem fins lucrativos, de duração ilimitada, autônoma, de representação nacional de estudantes de Fisioterapia do Brasil, tendo suas atividades regidas por estatuto e dirigidas pelo Movimento Estudantil de Fisioterapia (MEFisio) do Brasil. A estudante do 6º período do curso de Fisioterapia da Universidade São Francisco (USF), Maynara do Amaral Alfonsi, coordena a Regional Sul-Sudeste-Centro Oeste da ENEFi e fala sobre a importância da Executiva para os estudantes de Fisioterapia. “A ENEFi é uma entidade que tem por objetivo discutir os assuntos pertinentes a educação e políticas que envolvem a Fisioterapia. Começar a participar de movimentos dessa magnitude desde a graduação oportuniza ao aluno desenvolver o debate crítico reflexivo sobre temas que venham a envolver a categoria no âmbito político e educacional, acompanhando e mobilizando grupos ao redor de decisões que envolvam o cenário atual e futuro da formação e atuação em Fisioterapia. Prerrogativas sobre o ensino em EaD, contratação e atuação do fisioterapeuta no sistema público de saúde, condições adequadas de ensino e trabalho, entre outros temas que envolvam aspectos que influenciam a saúde da população como um todo, são pautas discutidas pela ENEFfi”, explica. 


Maynara também reforça a importância de o estudante se envolver ativamente nesses ambientes de debate, durante a graduação, a fim de propor melhorias e mudanças nas diretrizes da Fisioterapia. “Somos reconhecidos como uma categoria profissional independente e autônoma há pouco mais de 50 anos. Ainda temos muitos campos de trabalho a conquistar dentro das ciências da saúde. Assim, quanto mais cedo o graduando tiver contato com esse processo ativo de construção, maior será o crescimento profissional da Fisioterapia, tanto na esfera individual quanto coletiva”.  


ExNETO


Conforme explica a entidade, a criação da ExNETO se deu com a realização do I ENETO (Encontro Nacional de Estudantes de Terapia Ocupacional) que aconteceu em 1998, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Outros ENETOs aconteceram depois desse primeiro e, até hoje, esse evento configura-se como o principal espaço de construção e deliberação dos estudantes. Nesse encontro, os estudantes de Terapia Ocupacional de todo o Brasil sentiram a necessidade de se organizar e continuar a trocar informações nacionalmente criando a União Nacional dos Estudantes de Terapia Ocupacional (UNETO)”. No ano de 2003, em Belém (PA), inicia-se a ideia da criação de uma Executiva Nacional e, em 2004, a ExNETO é fundada em Salvador. Nos anos seguintes, surgiram as Coordenações Regionais, que compreendem as regiões Norte (PA), Nordeste (AL e PE), Sudeste 1 (SP), Centro Oeste (DF) e Sul (PR). 


Além de se definir como organização administrativa acadêmica, a ExNETO se entende como organização social, “com o objetivo de defender que não há formação com qualidade sem que haja o conhecimento do que é a sociedade e de como ela realmente funciona”. A entidade já apoiou e continua a apoiar lutas a favor da educação e saúde pública gratuita, democrática e de qualidade, bem como condições materiais em todos tenham uma vida digna e justa por meio de discussões, campanhas, ocupações e atos públicos, em sintonia ao coletivo de estudantes de Terapia Ocupacional e sociedade civil, a fim de combater as desigualdades e injustiças e modificá-las. 


Bárbara Silveira Dionízio é graduanda de Terapia Ocupacional na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e relata como o movimento estudantil entrou na sua vida. “Falar da minha vivência com movimento estudantil, significa olhar para trás com orgulho ao vislumbrar conquistas pautadas em muitas lutas coletivas, coragem e resistência para enfrentar os multifatores da atual conjuntura. Ao ingressar na faculdade em 2018, com 30 anos e, portanto, com “um pouco” mais de idade que os demais colegas, precisei fazer uma série de adaptações para me apropriar de um espaço que não é “programado” para os diversos papéis sociais de uma mulher e mãe”, conta. 


No ano de 2019, Bárbara foi eleita presidente do Centro Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho (Caavc), entidade estudantil que representa os estudantes dos cursos de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP. “Entre as diversas pautas que necessitavam de muita atenção, devido às demandas estudantis que surgiram com a pandemia mundial de COVID-19, minha amiga Micaela Herford, até então Tesoureira da gestão do C.A. e Representante Regional na ExNETO, expôs em uma reunião a necessidade de fortalecer a representação estudantil em âmbito regional e nacional. Dessa maneira, já devidamente apresentada à Executiva Nacional dos Estudantes de Terapia Ocupacional e reeleita como Presidente do Centro Acadêmico em 2021, me inscrevi na Gestão 2021 da ExNETO no setor de Ouvidoria”. 


Sobre a celebração ao Dia Nacional do Estudante, Bárbara reforça a importância dos movimentos estudantis tanto para o corpo discente das universidades quanto para os estudantes como agentes sociais de modificação. “Vivemos atualmente uma conjuntura adoecedora, não somente pelo fator biológico do novo coronavírus e suas variantes, estamos vivenciando tempos de depreciação dos serviços públicos de educação e saúde que garantem direitos constitucionais básicos à população. Por isso, pensando na futura atuação profissional é necessário ter coragem para ir contra a necropolítica e agir na busca de melhores condições de formação, que favoreçam posteriormente uma prática sustentada em um processo de ensino-aprendizagem dignos da responsabilidade que teremos ao atendermos às pessoas em seus contextos e cotidiano”. 


Graduação na Pandemia 


A pandemia de COVID-19 tem afetado, de maneira geral, estudantes do país todo, da educação infantil ao ensino superior. A estudante de Fisioterapia Isabella Vendramini conta que, para ela, a pandemia de COVID-19 resultou em frustrações e quebra de expectativas, especialmente por conta do ensino remoto. “Como acadêmica, o período de pandemia foi uma grande quebra de expectativa porque você sai do Ensino Médio, super animado para fazer aquilo que você sonha em fazer e entrar na faculdade. Eu acabei mantendo a faculdade, achando que fosse durar um mês e, no fim, já se tornaram dois anos”. Apesar disso, a estudante disse que conseguiu, da melhor maneira, fazer a faculdade ser um período bom. “Pelo menos nesse início, estudei bastante, me organizei bastante. Não se compara com 100% presencial, mas acredito que tenha me dado bem, até”, cont