Estudantes de fisioterapia pedem apoio do Crefito-3 para retorno às aulas presenciais
Modelo EaD foi adotado pelo curso durante a fase crítica da COVID-19. A instituição de ensino não define data de retorno às aulas presenciais. O grupo de alunos está apreensivo em relação à carência de oportunidades de aprendizagem prática das aulas no modelo EaD.

Um grupo de nove estudantes de um curso de graduação de Fisioterapia, representando estudantes desde o primeiro até o sétimo semestre, solicitaram reunião com o presidente do Crefito-3, Dr. Raphael Ferris.


O objetivo da reunião era expor a preocupação dos alunos com a demora da universidade em retomar as aulas presenciais, transferidas para o ambiente EaD no período mais crítico da pandemia da COVID-19. 


A preocupação dos estudantes está relacionada à precariedade do EaD para a formação de profissionais da saúde.


Ao Crefito-3 os estudantes manifestaram que, pelo fato de terem passado mais de 2 anos frequentando aulas a distância, não se sentem preparados para exercer técnicas rotineiras da profissão, como, por exemplo, leitura de exames de imagem; realização de avaliação postural, execução de técnicas de alongamento em pacientes pós-cirúrgicos, ou abordagem correta das questões complexas do paciente neurológico.


“Por mais que a gente estude e busque conhecimentos adicionais, mesmo assim a gente se sente inseguro para colocar as mãos no paciente”, relatou um dos estudantes.”Na vida profissional, os nossos pacientes não vão ser atendidos online”, lembra o estudante. 


Precariedade do modelo EaD para a formação na área da saúde


Dr. Rivaldo Novaes, delegado do Crefito-3 e há 25 anos na docência em Fisioterapia, compreende a preocupação dos estudantes, e contesta o modelo EaD para graduação em Fisioterapia e em Terapia Ocupacional. 


“A vivência com o paciente tem que existir desde o primeiro ano. O estudante precisa entender o paciente, não apenas fisicamente. Ele também precisa compreender aspectos psicológicos, entender o sofrimento do paciente, para aprender como abordar; como conversar. Essa vivência é necessária, desde o primeiro ano, e não se desenvolve por meio do contato com os pacientes no período de estágio”, explica Dr. Rivaldo. 


Dr. Rivaldo também tem críticas às aulas práticas no modelo EaD, que acontecem, muitas vezes, em laboratórios lotados, com um grande número de estudantes por professor. “Nas aulas práticas, existe um limite de alunos por professor. Todo aluno tem dúvidas nas aulas práticas, e o professor precisa observar e corrigir cada um deles”, adverte.


Posicionamento do Crefito-3

Durante a reunião com os estudantes, o presidente, Dr. Raphael Ferris, explicou que o Crefito-3 não pode, legalmente, interferir em questões de formação profissional. Mas enfatizou que o Conselho pode contribuir para que a boa qualidade do ensino seja garantida, já que a boa assistência ao paciente depende de uma adequada formação universitária.

Dr. Raphael Ferris colocou a Procuradoria Jurídica do Crefito-3 à disposição do grupo, para contribuir com o melhor desfecho da solicitação estudantil.