Profissionais poderão regularizar pendências junto ao Conselho.
Representantes do Crefito-3 irão visitar 39 municípios da região
A Terapia Ocupacional ensina que a organização da vida diária, os vínculos sociais e as atividades com sentido são elementos que promovem o bem-estar psíquico
Representantes do Crefito-3 irão visitar 26 municípios da região
Após a denúncia, foi realizada visita fiscalizatória no Hospital da Luz, que identificou irregularidades que estão além da competência legal de ação do Conselho
Formação no método deve ser feita por meio de curso teórico-prático com carga horária mínima de cem horas.
Publicado em: 24/04/2025
10 anos da Fisioterapia Cardiovascular como especialidade reconhecida: avanços, desafios e perspectivas
Em 25 de abril de 2025, a Fisioterapia Cardiovascular completa uma década de reconhecimento oficial como especialidade profissional, conforme estabelecido pela Resolução Coffito nº 454/2015. A criação de uma especialidade específica para o cuidado cardiovascular representou um marco importante para a atuação clínica e científica da Fisioterapia brasileira, especialmente diante do cenário epidemiológico em que as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no país e no mundo.
O CREFITO-3 conta com a atuação de uma Câmara Técnica de Fisioterapia Cardiovascular, que funciona como instância consultiva e propositiva dessa área de especialização para os gestores do CREFITO-3. Coordenada pela Dra. Isis Begot Krainer, composta pelos membros Dra. Renata Trimer, Dra. Patrícia Forestieri e Dra. Maria Carolina Basso Sacilotto, a Câmara Técnica de Fisioterapia Cardiovascular do CREFITO-3 forneceu todas as informações que constam desta matéria.
Reabilitação e muito mais
A área de atuação da Fisioterapia Cardiovascular abrange todos os níveis de atenção à saúde — promoção, prevenção, proteção, intervenção terapêutica, reabilitação e educação — em ambientes hospitalares, ambulatoriais e domiciliares. A assistência especializada tem como foco a reabilitação cardiovascular (RCV), com o objetivo de melhorar a capacidade funcional, reduzir riscos de reinternações, promover a educação em saúde, prevenir novos eventos cardíacos e reduzir a mortalidade. Também é fundamental para o controle de fatores de risco como hipertensão (HAS), diabetes, obesidade, dislipidemia, tabagismo e sedentarismo, além de acelerar a recuperação no perioperatório de cirurgias cardíacas.
Pacientes com diagnósticos diversos
O público atendido pela especialidade é bastante diverso, incluindo pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca (IC), arritmias, doenças cardíacas congênitas, submetidos a procedimentos cirúrgicos cardiovasculares, e pessoas com múltiplos fatores de risco. Além disso, a atuação se estende a atletas, nos contextos de prevenção e melhora do desempenho cardiovascular por meio de avaliações funcionais e intervenções específicas.
Até 2015, a especialidade era conhecida como Fisioterapia Cardiopulmonar, unindo as áreas cardiovascular e respiratória. A desvinculação promovida pela Resolução Coffito nº 454/2015 foi estratégica: possibilitou o aprofundamento técnico, científico e clínico nas particularidades do sistema cardiovascular. Embora interligadas em diversas situações clínicas, a Fisioterapia Cardiovascular e a Fisioterapia Respiratória são especialidades com alvos fisiológicos e objetivos distintos — o que se reflete na formação acadêmica, nas práticas baseadas em evidências e na construção de protocolos específicos.
A especialidade permanece vinculada à Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR). Isso se deve ao histórico de atuação integrada em ambientes como UTIs e centros de reabilitação. No entanto, observa-se um crescimento progressivo da atuação especializada e do interesse acadêmico na área cardiovascular, o que pode impulsionar, futuramente, a criação de uma entidade exclusiva para representá-la.
Uma especialidade, muitas possibilidades de pesquisa
No campo da pesquisa, a Fisioterapia Cardiovascular tem investido em diferentes frentes. Entre os principais eixos de pesquisa estão:
1. Reabilitação Cardiovascular Baseada em Exercício : A prática estruturada de exercícios físicos é um dos pilares da reabilitação cardiovascular (RCV). Pesquisas investigam a eficácia de diferentes tipos de exercício — aeróbico contínuo, resistido, combinado e HIIT (treinamento intervalado de alta intensidade) —, bem como sua intensidade, frequência e duração ideais. Há um foco crescente na personalização dos protocolos, com base nas condições clínicas e na resposta individual ao treinamento. Os estudos buscam mensurar ganhos em VO₂máx (quantidade máxima de oxigênio que o corpo consome por minuto durante o exercício físico), redução da mortalidade e melhora na qualidade de vida.
2. Telessaúde e telemonitoramento: A digitalização da saúde tem impulsionado a implementação de programas de RCV remotos. Pesquisas atuais exploram o uso de plataformas digitais, inteligência artificial e sensores vestíveis para monitorar parâmetros fisiológicos à distância, promovendo segurança, eficácia e adesão em populações com barreiras geográficas ou socioeconômicas. A telessaúde também se mostra promissora para ampliar o acesso à reabilitação em regiões desassistidas.
3. Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC): A VFC tem se consolidado como um marcador prognóstico relevante, refletindo a modulação autonômica cardíaca. Estudos mostram que alterações na VFC se correlacionam com maior risco de eventos cardiovasculares e pior desfecho clínico em condições como IAM , IC e HAS. A análise da VFC tem sido utilizada tanto como ferramenta de avaliação quanto para monitorar a resposta a intervenções fisioterapêuticas, permitindo ajustes mais precisos nos protocolos de RCV.
4. Reabilitação Cardiovascular Precoce: A atuação fisioterapêutica durante a fase aguda da internação hospitalar — especialmente em pacientes acometidos por IAM, IC descompensada e no perioperatório de cirurgia cardíaca — tem sido amplamente estudada. Pesquisas buscam definir protocolos seguros e eficazes para essa fase crítica, com foco na preservação da capacidade funcional, prevenção de complicações associadas à imobilidade, aceleração da recuperação e redução do tempo de internação. Evidências apontam que a RCV precoce contribui significativamente para a melhora da qualidade de vida e redução das taxas de reinternação.
5. Ultrassonografia cinesiológica: O uso do ultrassom como ferramenta de avaliação funcional à beira do leito tem ganhado destaque. Estudos investigam sua aplicação na análise de estruturas musculoesqueléticas, mobilidade diafragmática, aeração pulmonar e sistêmicas, especialmente em pacientes críticos. A ultrassonografia permite uma conduta mais personalizada e baseada em dados objetivos, e fortalece o papel do fisioterapeuta na avaliação funcional integrada e na conduta baseada em evidências.