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Publicado em: 21/10/2015

Novos remédios de hepatite C começam a chegar ao SUS; "revolucionário", diz ministro

O Ministério da Saúde anunciou ontem o cronograma de entrega dos novos medicamentos adquiridos pelo Brasil no exterior para o tratamento da hepatite C, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Distrito Federal já recebeu os primeiros lotes dos remédios sufosbuvire daclatasvir, que serão entregues aos 26 estados até o início de novembro. Já o terceiro medicamento que compõe o tratamento, o simeprevir, será colocado na rede pública de saúde até dezembro.

Esses medicamentos estarão disponíveis até o final do ano para 30 mil pacientes do SUS com hepatite C. O investimento federal é de R$ 1 bilhão na importação dos remédios fabricados no Canadá, Estados Unidos e Holanda.

“É um esforço extraordinário que o Ministério da Saúde faz para demonstrar o seu comprometimento para tratar uma doença com consequências tão graves, que leva à cirrose e ao câncer de fígado”, afirmou o ministro Marcelo Castro. 

Ele comparou a oferta pelo SUS dos mais modernos e caros medicamentos já fabricados para tratar a hepatite C à disponibilização de remédios contra a AIDS. O ministro ressaltou o fato de o número de soropositivos no País ser 50% menor que a quantidade de infectados em potencial pela hepatite C.

“Esse momento é equiparável àquele, lá atrás, quando nós começamos a fazer os tratamentos antirretrovirais contra a AIDS. A AIDS acomete 720 mil brasileiros e a hepatite C, muito provavelmente, 1 milhão e 400 mil pessoas”, comparou. 

Os novos medicamentos dobram as chances de cura da hepatite em relação ao tratamento até agora aplicado, que incluía a injeção de remédios com efeito colateral. No modelo convencional, as chances de cura variam de 40% a 47%, após tratamento realizado entre 48 e 52 semanas. 

Já o tratamento com os três novos remédios dobram as chances de cura da doença. “Essas drogas revolucionárias, inovadoras, colocam o Brasil numa posição de vanguarda no tratamento dessa virose tão importante para a saúde pública brasileira e mundial. Elas têm o poder de curar, por via oral, com apenas 12 e no máximo 24 semanas (de tratamento), aproximadamente mais de 90% dos casos”, observou Castro. 

Os medicamentos adquiridos pelo Brasil têm patentes registradas em outros países, o que impende a produção nacional a custo mais baixo. Apesar disso, Saúde conseguiu reduzir drasticamente o custo do tratamento para os pacientes do SUS.

“Tivemos ágeis negociadores e alto poder de compra”, disse Castro, em referência à negociação conduzida pelo ex-ministro Arthur Chioro. 

A média mundial de valor dos medicamentos, de acordo com o ministério, varia entre US$ 40 mil e US$ 50 mil. Como o Brasil comprou o sufosbuvir, daclatasvir e o simeprevir em escala, o preço do tratamento caiu para US$ 9,6 mil. Isso significou uma redução de preço entre 316,7% e 420,8%, em relação à média mundial. 

A negociação brasileira foi reconhecida como exitosa pelo jornal médico The Lancet. A publicação britânica mostrou elencou custo do novo tratamento da hepatite C por país, apontando o Brasil como o de menor custo entre aqueles que foram analisados. 

De acordo com o jornal especializado - um dos mais importantes do globo -, a Dinamarca, por exemplo, gasta entre US$ 82 mil e US$ 92 mil no tratamento da hepatite C com os três medicamentos. No Reino Unido, os valores encontrados pela Lancet variaram de US$ 72,9 mil a US$ 76,5 mil. 

Com informações do Portal Brasil