Profissionais poderão regularizar pendências junto ao Conselho.
Representantes do Crefito-3 irão visitar 39 municípios da região
A Terapia Ocupacional ensina que a organização da vida diária, os vínculos sociais e as atividades com sentido são elementos que promovem o bem-estar psíquico
Representantes do Crefito-3 irão visitar 26 municípios da região
Após a denúncia, foi realizada visita fiscalizatória no Hospital da Luz, que identificou irregularidades que estão além da competência legal de ação do Conselho
Formação no método deve ser feita por meio de curso teórico-prático com carga horária mínima de cem horas.
Publicado em: 27/01/2016
No Rio, bloco vai protestar contra tratamento de pacientes em manicômios
Criado há 12 anos, o bloco de rua Tá Pirando, Pirado, Pirou! vai aproveitar o carnaval deste ano para defender o tratamento de pessoas com transtornos mentais fora dos manicômios e em comunidade. O bloco é formado por pacientes e profissionais da rede de saúde mental. Os integrantes também irão protestar contra a nomeação do psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho para a Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
A camiseta do bloco trará estampada a frase “Nem um passo daremos atrás: manicômio nunca mais” e foi criada pelo ilustrador Samy das Chagas, paciente do hospital psiquiátrico Instituto Philippe Pinel há pelo menos 15 anos e o principal artista da oficina de reciclagem de papel do centro.
A ideia, segundo os organizadores, é mostrar a capacidade criativa dos pacientes. “São capazes de produzir sambas lindos e arte. Mostrar para a sociedade que existem outras formas de se tratar a loucura e mais do que isso, que essas pessoas não podem ter a sua existência resumida a um diagnóstico ou a um certo olhar que, muitas vezes, diz que loucura é sinônimo de incapacidade de conviver em sociedade, de trabalhar, e é sempre associada a uma ideia de periculosidade”, disse o psicanalista e coordenador do bloco, Alexandre Ribeiro Wanderley.
O enredo vencedor deste ano é “Faxina nas ideias. Mais arte, mais solidariedade. O samba é um santo remédio”, de autoria de Hamilton de Jesus. Vencedor também do enredo do ano passado, Hamilton é paciente do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro e participa de um grupo de rock chamado Harmonia Enlouquece, em referência à Praça da Harmonia, na zona portuária, onde a unidade está situada.
Os integrantes do bloco defendem a reforma psiquiátrica, aprovada em 2001, que deu início a adoção do tratamento em residências terapêuticas com serviços abertos e comunitários.
Segundo o coordenador do bloco, atualmente, são mais de 2 mil centros de atenção psicossocial no Brasil. No centro de atenção, o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
Durante o desfile no próximo dia 31 na Avenida
Pasteur, na Urca, zona sul do Rio de Janeiro, o bloco irá protestar contra a
nomeação do psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho para a Coordenação Nacional
de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Valencius Wurch foi diretor-técnico da Casa de Saúde Dr. Eiras, então maior
manicômio privado do país, localizado em Paracambi, na Baixada Fluminense, e
que foi fechado em 2012 após denúncias de violações de direitos.
De acordo com Wanderley, entidades ligados ao movimento
antimanicomial “lamentam” não terem sido consultadas sobre a nomeação do
psiquiatra e o protesto é contra “o que ele representa”, por ter dirigido por
mais de dez anos um manicômio.
“Existe uma mobilização no Brasil inteiro”, disse.
No desfile, o poeta Chacal cantará samba de sua autoria, feito para o bloco Suvaco do Cristo, em homenagem ao Bispo do Rosário, antigo paciente da médica Nise da Silveira, Contrária à aplicação de eletrochoques em pacientes com caráter punitivo.
No final do evento, o bloco Céu da Terra, em apoio à causa da reforma psiquiátrica, tocará músicas tradicionais de Moçambique, chamadas marrabentas. Os integrantes do bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! soltarão balões para representar a morte de pacientes psiquiátricos em manicômio de Paracambi. “Vai ser um protesto carnavalesco”, disse Wanderley.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a escolha do psiquiatra Valencius Wurch para a Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas reforça a Política Nacional de Saúde Mental visando “modelo de atenção à saúde aberto e de base comunitária, promovendo a liberdade e os direitos das pessoas com transtornos mentais”.
De acordo com o ministério, Wurch participou das discussões que resultaram na reforma psiquiátrica. “O Ministério da Saúde considera a reforma psiquiátrica uma conquista do setor e não admite retrocessos na política em desenvolvimento”.
“O governo federal tem impulsionado a construção de um modelo humanizado, mudando o foco da hospitalização/segregação e promovendo tratamento às pessoas com transtornos mentais e decorrentes do uso de álcool e drogas com base em um modelo de cuidados voltado para a reinserção social, a reabilitação e a promoção de direitos humanos”.
A nota informa que Valencius Wurch foi diretor da Santa Casa de Saúde Dr. Eiras, em Paracambi, entre 1993 e 1998, “onde trabalhou em prol da humanização do atendimento na unidade”. O coordenador atua há 33 anos na saúde pública e ingressou no ministério depois da extinção do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps).
Com informações
da Agência Brasil