Carta Capital destaca casos de pacientes recuperados da COVID-19 que ainda têm sintomas
São diversos os relatos de infectados que, semanas após atravessar a fase mais aguda do vírus, continuam apresentando sintomas da COVID-19.

Em matéria publicada em 22 de junho, a Carta Capital destacou casos de pacientes recuperados da COVID-19 que ainda sentem os sintomas da doença. Um desses pacientes é o fisioterapeuta Dr. Fábio Rodrigues, que atua no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Dr. Fábio é especialista em recuperação cardiorrespiratória e contraiu o vírus entre os pacientes do HC, referência no atendimento ao coronavírus em São Paulo e região. Embora não tenha sido hospitalizado, duas semanas após o diagnóstico, o fisioterapeuta ainda não recuperou totalmente o olfato e o paladar. Dentre os sintomas, Dr. Fábio disse que também sente um cansaço que surge repentinamente. 


Segundo as informações da Carta Capital, são diversos os relatos de infectados que, semanas após atravessar a fase mais aguda do vírus, continuam apresentando sintomas da COVID-19, como dor de cabeça, diarreia, perda de olfato e paladar, dores renais e fraqueza muscular.  


A COVID-19 provoca uma reação inflamatória muito mais intensa do que a da gripe e do H1N1. Um quadro conhecido como imunotrombose. De acordo com o pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Daniel Deheinzelin, “é normal manifestar sintomas por até oito semanas. Não quer dizer que todo mundo vai ter, mas acontece sim com certa frequência”.  Ainda não está claro, contudo, se estas manifestações são provocadas pela doença em si ou pela resposta inflamatória. 


Como o coronavírus é recente e ainda desconhecido, não houve tempo para conferir se os sintomas prolongados que muitos pacientes apresentam se converterão em sequelas de fato. Segundo o professor Paulo Saldiva, a perda definitiva mais provável são as sequelas pulmonares, mas ainda é cedo para afirmar. Um grupo liderado pelo pneumologista Carlos de Carvalho, chefe do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, pretende colocar à prova justamente essa possibilidade. Os pesquisadores devem acompanhar, por um ano, cerca de 2 mil pacientes de COVID-19 que deixarem o Hospital das Clínicas.