Profissionais pesquisadores celebram o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico
Data representa momento para celebração das conquistas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional no campo da pesquisa científica, e oportunidade para reflexão sobre a necessidade de ampliação das oportunidades para os pesquisadores

Hoje, 8 de julho, o Brasil celebra o Dia Nacional da Ciência e do Dia do Pesquisador Científico. A data marca o dia da fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1948. A SBPC reúne as principais associações científicas do país.


Para a  Fisioterapia e para a Terapia Ocupacional - profissões regulamentadas há quase 52 anos e que, desde então, consolidam suas práticas por meio das evidências científicas, fruto do trabalho de centenas de pesquisadores de ambas as áreas - a data é uma oportunidade para reflexão.


Embora já cinquentenárias, Fisioterapia e Terapia Ocupacional são relativamente bem jovens, em relação ao reconhecimento formal das áreas como campos do fazer científico - antes disso, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que desejassem se dedicar à pesquisa científica, tinham que se contentar em ingressar em programas de pós-graduação de áreas afins - Fisiologia. Anatomia, Psicologia, entre outras. 


No artigo de revisão “Evolução científica da Fisioterapia em 40 anos de profissão”, publicado na edição nº 24 (setembro de 2011) da revista Fisioterapia em Movimento, os autores Cristiane Cavalcante, Ana Rosa Rodrigues, Thais Dadalto e  Elirez Silva, os autores revelam que foi somente em 1996, com a autorização da Capes  (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para funcionamento do primeiro mestrado brasileiro em Fisioterapia na Universidade de São Carlos (UFSCar),  que a Fisioterapia passou a integrar oficialmente  a comunidade científica brasileira. 


Foi também na UFSCar o nascimento do primeiro Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional do país, com o início do Mestrado em 2009 ,e do Doutorado, em 2014


As profissões, embora já contassem com o reconhecimento de diversos de seus profissionais sobre a importância da pesquisa científica, ganharam um impulso desse interesse, a partir da criação dos programas de pós-graduação. Segundo a Capes, o Brasil conta hoje com 30 programas de pós-graduação, entre programas de mestrado e doutorado acadêmicos, e mestrado e doutorado profissionais. 

 

Ciência e a Pesquisa Científica transformaram minha vida e apresentaram oportunidades”


A importância de celebrar o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico representa, para a fisioterapeuta e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do Crefito-3,  Dra. Ingred Merllin Batista de Souza, uma grande oportunidade de reflexão para todos os profissionais da fisioterapia e da Terapia Ocupacional. 


Mestre e, atualmente em Doutoramento em Ciências, pelo Programa de Ciências da Reabilitação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Dra, Ingred Merllin , ela defende que ciência e pesquisa - por meio do estímulo ao pensamento crítico, com base em métodos científicos -  sejam práticas a serem estimuladas a todos os públicos, de todas as idades, como caminho para transformação “do nosso meio, nossa saúde, nossa qualidade de vida”. 


A respeito desse potencial transformador da Ciência, ela relata a própria experiência:ainda criança, ela questionava a relação que poderia existir entre o peso das mochilas escolares e a postura dos alunos. 


Os questionamentos da infância a levaram ao universo da pesquisa científica. Em sua trajetória acadêmica, iniciada com a graduação em Fisioterapia em 2010, na Universidade Federal do Amazonas, sempre esteve envolvida com pesquisas científicas:  fez iniciações científicas, parcerias e colaborações em outros projetos científicos. Graduada, seguiu para o mestrado e, atualmente, doutorado. 


“Não sei quantos serão alcançados pelas pesquisas que já desenvolvi, mas que de fato fornecerão informações para planejamentos da melhora da saúde das pessoas que têm dores na coluna”, relata. “A Ciência e a Pesquisa Científica transformaram minha vida e apresentaram oportunidades em poder propor transformações nos meios em que atuo como fisioterapeuta e como integrante da sociedade”.



Pesquisas evidenciam efetividade de intervenções terapêuticas ocupacionais


O terapeuta ocupacional e conselheiro suplente do Crefito-3, Dr. Cleber Henrique de Melo, relata que a pesquisa no campo da Terapia Ocupacional vêm ganhando cada vez mais notoriedade tanto nos espaços acadêmicos quanto nas esferas comunitárias.


Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos, Dr. Cleber avalia que, ao longo dos últimos anos, a profissão tem aprimorado sua prática, por meio de pesquisas que  mostram a efetividade de intervenções terapêuticas ocupacionais nos processos de rompimento do desempenho ocupacional das pessoas atendidas.


Para Dr. Cleber, tornar-se pesquisador possibilita a abertura de um campo vasto para questionamentos.


“O que me alimenta nesta trajetória de me tornar pesquisador, tem sido olhar para os diversos modos de se fazer a terapia ocupacional e questioná-la, assim como questionar o que compõe esse saber. Neste papel, não busco ou tenho a pretensão de destruir ou criar grandes revoluções, apenas me interessa neste desejo, criar fissuras em meio aos modos hegemônicos dos saberes. Aliás, fica registrado o meu respeito aos que até aqui sustentaram essas possibilidades, estes modos de produzir ciência e pesquisa na Terapia Ocupacional para que então possamos questionar e abrir novas possibilidades de produzir novos saberes”, finaliza.



Para saber mais


Evolução científica da fisioterapia em 40 anos de profissão

https://www.scielo.br/j/fm/a/cK8VnWJ6NWwt63gBjCmPhRF/?lang=pt#