Dia 10 de setembro - Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e a Campanha Setembro Amarelo

Essa data foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio em 2003 para estimular que os países discutam o suicídio e formas de prevenção. No Brasil, temos a Campanha Setembro Amarelo, realizada desde 2014, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

            Segundo dados de 2012 da OMS, mais de 800 mil pessoas se suicidam todos os anos, estimando-se que acontece um suicídio a cada 40 segundos no mundo todo.

            Em 21 de setembro de 2017, o Ministério da Saúde divulgou o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Chama a atenção a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos e entre jovens, principalmente de homens indígenas.

            A meta da OMS é reduzir 10% dos óbitos por suicídio até 2020 e a partir do referido Boletim o governo brasileiro criou a Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio com propostas de ações em três eixos: Vigilância e Qualificação da Informação, Prevenção do Suicídio e Promoção da Saúde, Gestão e Cuidado, com a finalidade de construir até 2020 o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Entre as propostas estão: capacitação de profissionais, orientação da população e de profissionais da mídia, expansão e fortalecimento da rede de assistência em saúde mental, principalmente nas áreas com maior risco, monitoramento anual dos casos.

            De acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), no Brasil, em média 11 mil pessoas/ano tiram a própria vida, sendo que em 2015 o suicídio foi a quarta maior causa de morte na faixa etária entre 15 e 29 anos, a terceira maior causa entre homens e a oitava entre as mulheres desse grupo.

            Entre 2011 e 2015, o país apresentou aumento da taxa de mortalidade por suicídio por 100 mil habitantes – de 10.490 (5, 3%) para 11.736 (5,7%).

            Entre 2011 e 2016 foram registrados 176.226 casos de lesões autoprovocadas, sendo que deste total, 48.204 (27,4%) foram tentativas de suicídio e, na maioria, por mulheres (69%). As mulheres foram mais reincidentes nas tentativas de suicídio, mas os homens morreram 3, 6% mais do que as mulheres. Quanto aos meios, envenenamento e intoxicação foram os principais utilizados (57,6), seguidos de objeto pérfuro-cortante (6,5%) e enforcamento (5,8%). Quanto à faixa etária, os idosos com mais de 70 anos morreram mais por suicídio (8,9%), sendo que 5,5% foi a média nacional. Com relação à raça, os indígenas morreram mais do que a branca, negra e amarela, sendo a incidência maior entre os indígenas de 10 a 19 anos.

            Quanto à situação conjugal, entre 2011 e 2015, a proporção de solteiros/viúvos/divorciados foi maior (60,4%) do que os casados/em união estável (31,5%).

            Em quase todos os municípios brasileiros há notificação de suicídios, com variações regionais. As taxas de suicídio entre jovens das grandes cidades, indígenas da região Centro Oeste e lavradores do interior do Rio Grande do Sul, são próximas dos países do leste europeu e da Escandinávia. Entre 2010 e 2015, a maior concentração ficou na região sudeste com 38% dos casos.

            A notificação tornou-se obrigatória a partir de 2011 e deve ser realizada em até 24 horas. Entretanto, a subnotificação acontece e a realidade pode ser ainda mais preocupante.

            Segundo Chiaverini et al. (2011), os fatores de risco podem ser: sociodemográficos, psicológicos e psiquiátricos.

            Entre os fatores sociodemográficos estão: sexo masculino; faixa etária entre 19 e 49 anos e acima dos 65 anos; os separados/divorciados, seguidos dos solteiros, depois os viúvos e, por último, os casados; estratos econômicos mais ricos e mais pobres; desempregados e aposentados; ateus, protestantes têm mais riscos que católicos e judeus; isolamento social.

            Já os fatores psicológicos podem ser: perda recente; perda dos pais na infância; instabilidade familiar; reação às datas importantes (ex.: aniversários); traços de personalidade tais como, impulsividade, agressividade, humor lábil; história familiar de doença afetiva, alcoolismo ou suicídio.

            Com relação aos fatores psiquiátricos: depressão, uso abusivo de álcool ou outras drogas, esquizofrenia, síndromes orgânico-cerebrais; transtorno de personalidade; tentativas anteriores de suicídio; doenças físicas incapacitantes, dolorosas ou terminais.

            Já quanto aos fatores de proteção, estimativas afirmam que a existência de CAPS no município reduz em 14% o risco de suicídio. Fortalecimento das redes sociais de apoio e ações intersetoriais com foco na promoção de saúde também são importantes estratégias de proteção.

            Portanto, considerando o perfil epidemiológico no Brasil, os fatores de risco e de proteção e o impacto social e familiar do suicídio/tentativas do suicídio, é de extrema relevância que os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que compõem a Rede de Atenção à Saúde em todo o território nacional, assim como os demais profissionais de saúde, participem dos processos de qualificação das suas práticas na prevenção do suicídio, sejam orientados sobre a importância da notificação e recebam informações técnicas sobre acolhimento, encaminhamento responsável e articulação da Rede de Atenção Psicossocial (CAPS, Atenção Básica, Hospitalar e Urgência e Emergência).

            Especificamente, os terapeutas ocupacionais inseridos nas Redes de Atenção Psicossocial têm um papel importante nas equipes que acolhem essa demanda, respeitando o disposto na Resolução COFFITO nº 408 de 18 de agosto de 2018 que disciplina a Especialidade Profissional Terapia Ocupacional em Saúde Mental e toda a prática e produção acumulada da profissão no campo da Saúde Mental em consonância com os pressupostos da Reforma Psiquiátrica e de Políticas Públicas que garantam o cuidado singular, em rede e no território.

            Estratégias voltadas para o fortalecimento pessoal e da rede de apoio podem ser fundamentais na prevenção de novos episódios, além de ofertas terapêuticas voltadas para a promoção de saúde como um dos objetivos da Terapia Ocupacional.       

Referências:

BOTEGA, N. J. Avaliação e manejo do risco suicida. In: MATEUS, M. D. (org.). Políticas de saúde mental: baseado no curso Políticas públicas de saúde mental, do CAPS Luiz R. Cerqueira. São Paulo: Instituto de Saúde, 2013.

CHIAVERINI D. H. (Organizadora)... [et al.].Guia prático de matriciamento em saúde mental  [Brasília, DF]: Ministério da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011.

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico [Internet]. Vol. 48 – nº 30 – 2017: Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf

https://www.ufrgs.br/telessauders/noticias/dia-mundial-prevencao-suicidio/