30 de agosto: Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla
A data foi instituída pela Lei nº 11.303/2006 com o intuito de dar maior visibilidade à doença, informar a população e alertar para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enfermidade.

Nesta segunda-feira, dia 30 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla (EM), doença rara, crônica e progressiva que ocorre quando o sistema imunológico ataca o isolamento em torno de células nervosas no cérebro, medula espinhal e nervos ópticos, gerando diversos sintomas e danos. A data foi instituída pela Lei nº 11.303/2006 com o intuito de dar maior visibilidade à doença, informar a população e alertar para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enfermidade.


Dentre os sintomas que acometem os pacientes com Esclerose Múltipla estão fadiga; distúrbios visuais; rigidez; fraqueza muscular; desequilíbrio; alterações sensoriais; dor; disfunção da bexiga e/ou do intestino; disfunção sexual; dificuldade para articular a fala; dificuldade para engolir; alterações emocionais e alterações cognitivas.


Para falar sobre a atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional na Esclerose Múltipla, o Crefito-3 convidou, para compor um artigo de opinião, a fisioterapeuta Dra. Leticia Moraes de Aquino, especialista profissional em Fisioterapia Neurofuncional no Adulto e no Idoso pela ABRAFIN, Mestra em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Doutoranda em Neurologia pela FMUSP e Docente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário São Camilo-SP; e a terapeuta ocupacional Dra. Marina Soares Bernardes Mestra e Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia da Universidade de São Paulo (USP); Terapeuta Ocupacional do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de São José do Rio Preto - SP e do Centro de Geriatria, Reabilitação e Hospedagem – CEGERH.


Fisioterapia e Esclerose Múltipla: multiplicando saberes com olhar funcional


“A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica e desmielinizante do Sistema Nervoso Central, de caráter inflamatório e autoimune, que apresenta os primeiros sintomas no adulto jovem. Mundialmente, estima-se que em 2020 aproximadamente 2,8 milhões de pessoas convivam com a EM, uma incidência crescente. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, ABEM, consideram que 30 mil pessoas convivam com a doença, que mesmo assim ainda é pouco conhecida pela população. Não conhecer a doença, seus sintomas e possibilidades de tratamento abre espaço para dúvidas, crenças e falta de informação. No Brasil, desde 2006, foi instituído o Dia Nacional de Conscientização sobre a EM (30 de agosto), por isso tantos eventos e propostas para fazer com que conhecimento e informação se somem neste mês.


A EM tem características diversas, tanto de acordo com o local das lesões, quanto ao  tipo de progressão; mas impacta na funcionalidade de forma prolongada, necessitando de recuperação e atenção para evitar complicações e oferecer manutenção das atividades, autonomia e qualidade de vida. A Fisioterapia é uma das profissões que vai  acompanhar essas pessoas, com olhar individualizado e funcional, buscando nas melhores evidências acompanhar o processo de atenção à saúde.


A multiplicidade de sintomas da EM somadas a individualidade de quem convive com ela, suas expectativas e metas, faz com que cada abordagem da Fisioterapia deva ser fundamentada em avaliações específicas, funcionais e periódicas, garantindo atenção integral às necessidades daquele momento do indivíduo (contexto e objetivos). A Classificação Internacional de Funcionalidade, CIF, cada vez mais incorporada na rotina do fisioterapeuta, auxilia a implementar esse olhar para atender às deficiências de estrutura e função enfrentadas pelo indivíduo, às limitações de atividade que ele apresenta e às restrições de participação. Em resumo, diversas especialidades da Fisioterapia atuam para auxiliar esses pacientes, de acordo com o seu impacto funcional.


A fadiga é um dos principais sintomas na EM, mas outros sintomas como disfunções geniturinárias e sexuais, desequilíbrio corporal e vertigem, alterações da marcha, predisposição a quedas, fraqueza muscular. espasticidade, alterações sensoriais, entre outras manifestações, podem ser abordadas por Fisioterapeutas de diversas especialidades, sendo normalmente a área da Fisioterapia Neurofuncional a “porta de entrada” desses indivíduos, por ser uma doença do Sistema Nervoso Central. De acordo com cada indivíduo, a Fisioterapia auxilia por meio de exercícios e técnicas específicas, desde a melhora de funções de movimentos simples até suporte a esportes competitivos, como nos esportes paralímpicos. Temos o grande exemplo da paratleta santista Elizabeth Gomes que tem EM, atualmente é campeã mundial do lançamento de disco de cadeirantes, e bateu seu próprio recorde durante a seletiva para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em junho de 2021, sendo uma grande promessa de medalhas. É esse olhar funcional que queremos reforçar.


Na minha vida profissional, tive exemplos de diversos pacientes com EM, que buscaram na Fisioterapia o suporte para atingir seus objetivos: medalhas em competições de Tai-chi-chuan, prática de atividades físicas antes não realizadas, manutenção ou reinserção no mercado de trabalho. Mas infelizmente, essa não é uma realidade comum em todo o território nacional. Acesso ao diagnóstico, acompanhamento de saúde, tratamento adequado direcionado com equipe multiprofissional ainda é muito escasso, por isso buscar suporte em associações de apoio é fundamental para acolher e ter informações corretas e adequadas. Associações profissionais como o Crefito-3, podem oferecer informações sobre como esses profissionais podem auxiliar na recuperação.

Associações como ABEM, ou a AME (Amigos Múltiplos pela Esclerose) podem direcionar e dar suporte, informação e acolhimento.


Compreender nosso papel de Fisioterapeuta como profissional da saúde que tem diversas possibilidades de intervenção baseadas em evidências científicas, e que alinha juntamente com o indivíduo com EM quais metas serão trabalhadas, têm possibilitado abordagem e resultados funcionais que impactem em melhor qualidade de vida e participação nos seus papéis sociais importantes. São esses saberes que devem ser multiplicados, é esse olhar funcional que devemos disseminar para que não só a Fisioterapia, mas a população como um todo, possa trabalhar em conjunto pela melhor conscientização e atuação junto às pessoas com EM.” 


(Dra. Leticia Moraes de Aquino, especialista profissional em Fisioterapia Neurofuncional no Adulto e no Idoso pela ABRAFIN, Mestra em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Doutoranda em Neurologia pela FMUSP, Crefito-3 – 76305-F, Docente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário São Camilo-SP). 


Terapia Ocupacional e a Esclerose Múltipla 


“No dia 30/08 é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A data tem como objetivo divulgar, orientar e conscientizar a população acerca da doença, seus tratamentos e disponibilidade de recursos e cuidados para melhores práticas em saúde para pessoas com Esclerose Múltipla no Brasil. A Esclerose Múltipla (EM) é uma condição neurológica que afeta o sistema nervoso central e provoca a desmielinização (danos à mielina – revestimento que protege os nervos), o que compromete o trânsito de informações e impulsos elétricos para o cérebro e traz consequências para o funcionamento adequado do corpo. 


Os principais sintomas são descritos como fadiga, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio e coordenação, dificuldades visuais como visão embaçada e diplopia, sensação de formigamento e tontura. Estima-se que 2,8 milhões de pessoas vivam com EM no mundo. Destes, cerca de 40 mil são brasileiros. A condição é mais comum em pacientes jovens, do sexo feminino, entre 20 e 40 anos de idade e é considerada a causa neurológica mais comum de deficiência em adultos jovens.  Embora não tenha cura, a Esclerose Múltipla tem tratamento, que consiste na combinação de terapia medicamentosa e reabilitação com o objetivo de diminuir o número de crises da doença ao longo dos anos e reduzir as incapacidades durante a vida. 


Enquanto Terapeuta Ocupacional, profissional reabilitador, o meu foco está na manutenção da funcionalidade e da autonomia da pessoa com EM no desempenho e participação nas atividades diárias. A atuação abrange técnicas de conservação de energia, treinamento motor, treino/facilitação das Atividades da Vida Diária (AVDs) e das Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs), adequação ambiental - seja ela doméstica ou laboral, confecção de tecnologias assistivas, organização da rotina e orientação aos familiares e cuidadores, visando alcançar o grau máximo de independência no cotidiano. 


Cada paciente é único e marca nossa trajetória profissional à sua maneira. Lembro-me de um em especial, contador de 42 anos, que apresentava muita dificuldade em gerir todas as tarefas que precisavam ser desempenhadas ao longo do dia. Neste caso específico, as orientações educativas sobre a doença, a organização da rotina e as técnicas para a “autogestão” da fadiga mudaram completamente sua qualidade de vida. O paciente conseguiu compreender como seu corpo funcionava e o caminho para auxiliá-lo a desempenhar as tarefas de maneira eficaz, respeitando sua condição.


A Esclerose Múltipla é uma doença complexa que exige a atuação de uma equipe multiprofissional para atender as demandas dos pacientes em sua totalidade. É comum que atendamos este tipo de paciente em conjunto com colegas Fisioterapeutas, que irão trabalhar as questões relacionadas à manutenção da força muscular, mobilidade, equilíbrio, marcha, transferências, indicação de dispositivos auxiliares de marcha, entre outros, focando na manutenção da capacidade funcional. Também destaco a importância dos profissionais das áreas de nutrição, psicologia, enfermagem, educação física e serviço social no processo de recuperação da pessoa com EM. Você pode saber mais sobre o tema acessando o site da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).” 


(Dra. Marina Soares Bernardes (Crefito-3 – 16.144-TO) – Terapeuta Ocupacional formada

pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo (USP); Mestra e Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia da Universidade de São Paulo (USP); Terapeuta Ocupacional do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de São José do Rio Preto - SP e do Centro de Geriatria, Reabilitação e Hospedagem – CEGERH).